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O Festival Afro-Gastronômico Ajeun celebrou a sua 1ª edição no município de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, com a realização do Ilê Asé Maroketu Oya Mesan Orun e uma produção coletiva entre artistas, educadoras, educadores e coletivos da própria região. De origem iorubá (língua africana falada principalmente na Nigéria), Ajeun significa “refeição compartilhada”, ou seja um convite simbólico para partilhar o alimento.
Vale destacar que o festival é para além da gastronomia, valorizando a ancestralidade e a cultura negra, assim como resgatando a memória do que veio antes.
Rafael William atuou na produção executiva, enquanto Gabriel Lins, Jacksyanne Monteiro, Mylene Ferreira e Uellinton Araújo na produção geral.
“Diante dos desafios históricos, a gente nasce como um movimento de resistência e afirmação cultural, celebrando a diversidade de saberes e expressões artísticas da diáspora africana no Brasil. O Festival Afro-Gastronômico Ajeun é um diálogo entre artes visuais, artesanato, dança, cinema e saberes tradicionais, por meio das vivências proporcionadas dentro do festival”, destaca a produção do festival.
Os encontros ocorreram nos dias 1 e 2 de agosto, em Belo Jardim, sendo abertura na Escola Municipal Professora Maria Antonieta Gomes Barbosa, e as demais as atividades no Complexo Cultural da Estação.
Com o objetivo de realizar uma vivência de histórias, culturas e tradições, a edição de estreia do Festival Afro-Gastronômico Ajeun reuniu diversas movimentações artístico-culturais, como apresentações, oficinas, exibição de filmes pernambucanos de classifcação livre (curta-metragens) e experiências sensoriais e educativas.
No primeiro dia, na Escola Municipal Professora Maria Antonieta Gomes Barbosa, duas oficinas abriram a programação: uma de pintura, com Venusta, artista visual, arte-educadora e fundadora do ateliê de mesmo nome, em São Bento do Una (Agreste de Pernambuco); e a outra de bonecas Abayomi, tendo a facilitação de Rafa Lima, arte-educadora, artista e produtora cultural, nascida numa comunidade da zona rural de Belo Jardim, nas proximidades do Quilombo do Barro Branco, e também do grupo local Afro Dança com Elas.
“A criação de Venusta é uma troca afetiva, espiritual e de resistência, resultando em obras ligadas à cor e ao fazer intuitivo. Já Rafa potencializa a ancestralidade dos saberes do maculelê, da capoeira e do artesanato com as tradicionais bonecas Abayomi”, contextualiza a produção.
Na sequência, Júnior de Oyá, babalorixá do Ilê Asé MaroKetu Oyá Mesan Orun, comunicador e candomblecista, facilitou uma roda de diálogo sobre “Experiência Gastronômica e Contação de Histórias”, com o compromisso de fortalecer as práticas e os saberes do terreiro como um ato político e social. Em seguida, houve uma apresentação do Interior Coletivo, grupo artístico de Belo Jardim voltado à pesquisa e criação em dança contemporânea e popular, composto por Cleice Ferreira, Jacksyanne Monteiro e Mylene Ferreira, que estão nos movimentos da cena cultural da cidade com a relização de espetáculos, oficinas, formações e pesquisas em dança. Vale lembrar que ambas as atividades aconteceram no Complexo Cultural da Estação.
Audiovisual
O festival se comunica também com o som e a imagem. Dentro da programação do Festival Afro-Gastronômico Ajeun, a Sessão Bitury trouxe justamente a presença do cinema pernambucano. Com a curadoria da produtora audiovisual e cultural Aline Sou, de Belo Jardim, dois filmes foram exibidos nos encontros: “De Grão em Grão” e “Meu Lugar no Mundo”.
Após as oficinas, "De Grão em Grão", com direção coletiva e produzido na 7ª edição da Mostra de Cinema Ambiental do Recife (MARÉ), teve duas exibições,. Esse curta-metragem, mediado por Renata Claus com estudantes da Escola João Barbalho (Recife), utiliza a técnica da animação para falar sobre questões ambientais e alimentares.
Já “Meu Lugar no Mundo”, também com direção conjunta, do Erê Sankofa (coletivo formado em 2023 no Centro Cultural do Grupo Brongar - Guitinho da Xambá, em Olinda), concluiu as atividades do festival. O documentário ficcional já conquistou um prêmio no 17º Festival de Cinema de Taquary como melhor trilha sonora (composição de Thúlio Xambá e Beto Xambá, ambos do grupo Bongar e lideranças do centro cultural).
"É uma encruzilhada entre cultura, meio ambiente e o direito à vida, compreendendo os saberes ancestrais como alimento que fortalece o corpo e o ori (espírito)”, reforça o festival.
Ficha técnica
Produção executiva: Rafael William
Produção geral: Gabriel Lins, Jacksyanne Monteiro, Mylene Ferreira, Uellinton Araujo
Oficina bonecas Abayomi: Rafa Lima
Oficina de pintura: Venusta
Roda de diálogo “Experiência Gastronômica e Contação de Histórias”: Júnior de Oyá
Apresentação artística ‘Interior Coletivo’: Cleice Ferreira, Jacksyanne Monteiro e Mylene Ferreira
Curadoria Sessão Bitury/Roda de diálogo: Aline Sou
Fotografia: Rafael William
Design: Soraya Feitosa
Assessoria de Imprensa: Emoriô Comunicação
Realização: Ilê Asé Maroketu Oya Mesan Orun
Apoio: Prefeitura de Belo Jardim
Incentivo: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB)
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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