A Sociedade Kênia Clube, em Joinville, será palco da primeira edição do Concurso Essência Negra neste sábado, 25 de julho, a partir das 16h. O evento inédito tem como objetivo principal coroar e celebrar a mais bela negra e o mais belo negro da maior cidade de Santa Catarina, destacando e reafirmando a potência da população afrodescendente no norte catarinense. Ao todo, 15 participantes, sendo 10 mulheres e 5 homens, competirão pelo almejado título.

A iniciativa nasceu da urgente necessidade de promover o encontro, reafirmar a presença étnica e servir como uma manifestação cultural afro-brasileira, dando maior visibilidade à cultura negra na cidade. O concurso é um evento totalmente comprometido com a valorização de toda a população, celebrando a contribuição histórica do negro para a identidade cultural do Brasil.

Reflexão sobre as questões raciais e a história local

Além da celebração, o evento propõe uma profunda reflexão sobre as questões raciais em uma cidade que, historicamente, tentou apagar, minimizar e muitas vezes invisibilizar a presença e o papel da população negra. A organização do Concurso Essência Negra destaca que, antes mesmo da chegada dos imigrantes europeus, os afrodescendentes já faziam parte da formação social e cultural de Joinville. A missão principal do evento é justamente reafirmar essa história.

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Atrações musicais reforçam a multiculturalidade

Nesta edição de estreia, a multiculturalidade será um dos pontos altos, com a presença de diversas atrações. Artistas locais como Fio José e Banda, Pagode dos Meninos e Seleção Guanabar prometem animar o público. Direto do Rio de Janeiro, o evento contará com a participação especial do renomado sambista João Martins.

João Martins: um talento do samba carioca

João Martins possui uma trajetória rica no cenário do samba carioca. Ele fez parte de diversas rodas de samba icônicas, como Cacique de Ramos, Tia Ciça Samba Luzia, Beco do Rato e Clube Renascença. Em 2003, aos 19 anos, integrou a banda de Tunico Ferreira, filho de Martinho da Vila, com quem tocou ao lado de nomes como Paulinho da Viola, Martinho da Vila, D. Ivone Lara e Martnália em uma temporada no Teatro Rival, no Rio de Janeiro.

Também participou do grupo Batuque na Cozinha, apresentando-se em locais como o Bar do Juarez, em Santa Teresa, e em boates da Zona Sul do Rio. Como compositor, suas músicas foram gravadas por grupos como Galocantô, Samba com Atitude e Deu Branco, além de Wantuir e Renato Santos.

Em 2009, lançou seu primeiro CD independente, “Juízo que dá samba”, com 12 sambas inéditos e autorais, contando com as participações de Dona Ivone Lara, em “Amor de Madeira”, e do Grupo Galocantô, em “Galocantar”. O álbum também teve a colaboração de Wanderson Martins, Eduardo Neves, Anderson Rocha, Paulinho Bicolor e Thiago do Bandolim.

Seu segundo CD, “Receita pra Amar”, foi lançado em 2012, com 13 faixas de sua autoria, incluindo a faixa-título, composta em parceria com Dona Ivone Lara e André Lara. O show de lançamento, no Clube Renascença, contou com a presença de Dona Ivone Lara, Moacyr Luz e Moyseis Marques.

Em 2016, João Martins participou da série “O século do Samba”, no Centro Cultural Banco do Brasil, ao lado da dupla paulistana Os Prettos, no dia dedicado ao “Samba Novo”. Para a ocasião, compôs um samba em parceria com Os Prettos, a pedido do curador Luís Filipe de Lima.

Mais recentemente, em 2020, lançou pelo selo Deck o CD “Suspiro”, produzido por Leandro Sapucahy. O álbum apresenta 14 faixas e conta com participações especiais de Sombrinha em “Pretas, brancas e morenas”, Diogo Nogueira em “Lua no jardim” e Reinaldo em “Inconsequentes”.

Expectativas e desafios na organização do evento

Segundo Edelir Maria Cardoso Rosa, uma das organizadoras do concurso, as expectativas são muito grandes. Ela ressalta que o evento é mais do que um concurso de beleza; é uma celebração da valorização dos afrodescendentes joinvilenses, da ancestralidade e da representatividade, demonstrando grande confiança no sucesso da iniciativa.Edelir também relatou as dificuldades enfrentadas para obter apoio em iniciativas voltadas à cultura afro-brasileira, uma realidade que, segundo ela, ainda persiste em Joinville. A equipe organizadora buscou o apoio e o patrocínio de diversos empresários da cidade para o Concurso Essência Negra, mas em muitos casos, encontrou portas fechadas.

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