O escritor Wesley Barbosa apresenta, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) 2026, o seu primeiro livro voltado ao público infantil. O lançamento de Os barraquinhos da favela (Editora Moderna) acontece em 23 de julho, às 10h, em uma roda de conversa na Casa da Favela.

O livro e a trajetória do autor

Ilustrado por Tainan Rocha e indicado para crianças a partir de 6 anos, o livro propõe uma leitura poética das recordações da infância na periferia. A narrativa reconstrói cenas do cotidiano — casas de madeira vulneráveis ao vento, refeições compartilhadas em família e horizontes vistos por janelas quebradas — usando essas imagens como metáforas dos sonhos que persistem apesar da escassez.

Barbosa, nascido em Itapecerica da Serra (SP) em 1990, já havia publicado cinco títulos antes desta estreia na literatura infantil. O autor vê a obra como uma forma de mostrar que, mesmo em lugares negligenciados pelas instituições, a leitura e os estudos podem abrir caminhos e inspirar transformação pessoal e coletiva.

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Contexto e repercussão

A participação de Wesley na programação da FLIP carrega significado político e simbólico para a literatura periférica. Em evento anterior, no Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), ele falava no estande do Coletivo Neomarginal — que reúne autores da periferia — quando foi interrompido por uma manifestação irônica da escritora Camila Panizzi Luz. A intervenção associou a produção periférica a estigmas relacionados à criminalidade, provocando repúdio de parte do público e reações nas redes sociais.

O episódio reacendeu debates sobre o preconceito estrutural enfrentado por autores negros e periféricos nos circuitos literários tradicionais e reforçou o caráter de resistência atribuído à presença de vozes periféricas em espaços institucionais.

Além de ampliar a visibilidade institucional de produções periféricas, o lançamento é apresentado como uma oportunidade de reforçar representatividade entre leitores infantis, potencial educativo e confrontação de estereótipos que marcam a experiência de crianças negras e de comunidades periféricas.