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A Nação de Maracatu de Baque Virado Estrela Brilhante do Recife celebra 120 anos preservando corte real, batuques e as cores azul e branca na Zona Norte. Fundada em 16 de julho de 1906 por Cosme Damião Tavares, a nação mantém ligação com religiões de matriz africana por meio das calungas, atualmente Dona Joventina e Dona Erundina.
Tradição e liderança
Há mais de um século a agremiação transmite ofícios entre gerações: baianas, damas de passo, porta-estandartes e batuqueiros mantêm viva a herança familiar e rituais. Desde 1995 a sede funciona no Alto José do Pinho, onde o batuque, sob o comando do mestre Fábio Aquino, reúne mais de 500 integrantes no Carnaval.
À frente da Estrela Brilhante está Marivalda Maria dos Santos, ialorixá, rainha e presidenta há mais de 30 anos. Ela enfatiza o trabalho cotidiano da liderança e a responsabilidade de manter as práticas religiosas e culturais.
Paixão familiar
O vínculo com a nação costuma atravessar laços familiares. Membros relatam trajetórias iniciadas por filhos e filhas que motivaram mães e responsáveis a desfilar, carregar calungas e assumir funções como Catirina. Integrações de décadas, como a de João Vitor, mostram a presença contínua de famílias inteiras no cortejo.
Desafios para manter a tradição
Apesar da relevância histórica, integrantes denunciam dificuldades para financiar a atividade. Participantes criticam a falta de investimentos públicos e afirmam que a ausência de repasses compromete a manutenção da nação. Marivalda aponta que a Prefeitura do Recife ainda não realizou o pagamento relativo ao Carnaval deste ano, o que, segundo ela, dificulta a continuidade das ações.
Festival Trovão Azul e protagonismo feminino
De 16 a 19 de julho, o Festival Trovão Azul ocupa o Alto José do Pinho com apresentações culturais, oficinas, rituais religiosos e rodas de diálogo. Com o tema “Onde a mulher é respeitada, a vida canta mais alto”, o evento coloca o protagonismo da mulher negra nas manifestações de matriz africana como eixo central.
O tema foi motivado por um episódio de violência ocorrido durante o Carnaval deste ano, quando integrantes de outra nação teriam ameaçado e desrespeitado lideranças após a divulgação do resultado de concurso; o festival também nasce como resposta em defesa de direitos e respeito às mulheres da agremiação.
Programação
- 16 de julho (quinta) – Corte do bolo, queima de fogos e confraternização, a partir das 13h.
- 17 de julho (sexta) – Oficina de agbê com Carol Lima às 13h; às 15h, roda de diálogo “Ancestralidade e Protagonismo Feminino” com participação de Marivalda e outras convidadas; às 18h, ritual dedicado ao Mestre Cangaruçu.
- 18 de julho (sábado) – Cortejos e apresentações a partir das 14h na rua Severino Bernardino Pereira, com grupos tradicionais, entre eles Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, Maracatu Estrela de Ouro e afoxés como Alafin Oyó e Oxum Pandá.
- 19 de julho (domingo) – Sambada do Coco Cangurussu, com o batismo do novo grupo pela coquista Mãe Beth de Oxum e participação do Coco Raízes do Capibaribe.
O festival reafirma a presença da Estrela Brilhante na paisagem cultural do Recife, ao mesmo tempo em que expõe a precariedade de recursos para manter ritos, vestimentas e atividades formativas. Para a nação, a continuidade da tradição depende da resistência coletiva e do reconhecimento — cultural e financeiro — das comunidades que preservam o maracatu.
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