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O DanzÁfrica Mandén — coletivo de expansão da dança, percussão e canto do oeste africano — fez a estreia do espetáculo “Uma História de Encontros”, no Teatro Fernando Santa Cruz (Mercado Eufrásio Barbosa - bairro do Varadouro), em Olinda.
O show-espetáculo apresentou e também celebrou a tradição cultural Malinke, que é de origem do Mali (país africano). Ela é compartilhada no Brasil por mestras e mestres da África Ocidental, a partir da ideia do saber, da oralidade, da ancestralidade e da transmissão do conhecimento, repassado por historiadores e historiadoras, genealogistas, contadores e contadoras de histórias, antropólogos e antropólogas, artistas, musicistas, cantoras e cantores e compositoras e compositores.
Realizada no dia 8 de agosto deste ano, a apresentação “Uma História de Encontros” reuniu dez atos, com o roteiro distribuído por ritmos mandinga, respeitando a seguinte sequência: Sofa, Sinte, Kono, Yankadi, Soko, Mane, Maraka, Kuku, Konowulen e Djole. Vale dizer que a tradição Malinke é diversa, incluindo crença, dança, história, língua, música, ritual e relações interpessoal, social e política.
“O espetáculo espalhou essa cultura africana por meio de uma narrativa visual e sonora, unindo dança, percussão e música para apresentar e valorizar a tradição Malinke, rica por si só em práticas culturais. Durante a apresentação, a gente também contou a história de conquistas coletivas do DanzÁfrica Mandén. O corpo dançou, o tambor chamou e a ancestralidade pulsou. Cada ritmo, cada passo, cada toque no tambor uniu gerações”, destaca o grupo.
A tradição oral, juntamente com os conhecimentos ancestrais, é fundamental na cultura Malinke. Já na musicalidade, traz instrumentos percussivos, como djembe e krin. Além do mais, a dança Moribayassa está no centro das atenções. O acontecimento do show-espetáculo reforçou a importância das culturas de matriz africana no Brasil. Ainda por cima, sua existência colaborou para ampliar localmente o acesso a esse pertencimento à identidade negra.
“A gente criou um espaço de encontro e transformação cultural e, ao mesmo tempo, de resistência da cultura negra e de coletividade. O que conseguimos foi juntar o que tem de diverso na arte às memórias das raízes ancestrais africanas. E é com respeito, estudo e amor que compartilhamos tudo isso”, acrescenta o coletivo.
Muitas mãos fizeram a produção do show-espetáculo, que juntou em sua ficha técnica uma diversidade de profissionais locais: Juliana Zacarias (dançarina/coreógrafa); Odara Canuto (dançarina); Darana Costa (dançarina); Obailê Santana (dançarina); Ewelinny Correia (dançarina); Guilherme Cavalcanti (percussão); Vini Morais (percussão); Isaac Souza (percussão); Tito Farias (percussão); Bruno Victor (percussão); Marcela Souza (produção executiva); Daniel Lima (assessoria de imprensa); Casa 5 (mídias sociais e design); Luan Albuquerque (técnico de som); Marcelo Sampaio (técnico de luz); Emmanuel Santos (roadie); Emerson Rodrigues, do Em Cores Ateliê (figurino); Rodrigo Zarina (figurino); Dandara Ire (tecidos do figurino) e Paula Badu (maquiagem).
“Uma História de Encontros” tem incentivo público, com o financiamento pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), via Ministério da Cultura e Governo Federal, além da aprovação estadual por meio do Governo do Estado de Pernambuco.
O DanzÁfrica Mandén nasceu como “DanzÁfro” em 2016, na cidade de Foz do Iguaçu (PR), sendo inicialmente um projeto de pesquisa dentro da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e também financiado pelo Ministério da Cultura (MinC), através do programa “Mais Cultura nas Universidades”. No ano de 2017, as produtoras culturais Juliana Zacarias e Laís Cabral chegam a Pernambuco e unem-se a um grupo de musicistas do Recife e de Olinda, que estudam desde 2003 os ritmos do oeste da África.
Em 2019, o DanzÁfrica Mandén se firmou como um coletivo de expansão da dança, percussão e canto do oeste africano. Já nos anos de 2023 e 2024, realizou a sua primeira formação de corpo de dança e percussão.
“O coletivo dança para lembrar, toca para reconectar e compartilha a mensagem para que nunca seja esquecida. Sempre lembramos das mestras e mestres, da identidade negra em Pernambuco e da conexão entre saberes, tempos e territórios, agradecendo a tantas outras pessoas que contribuíram para o existir do DanzÁfrica”, pontua.
Oficinas
Além da apresentação artística, existe a iniciativa para a realização de oficinas gratuitas, proporcionando o aprendizado e a prática de dança e percussão. As vivências formativas estão previstas para o dia 13 de setembro deste ano (sábado), ambas no Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro (Muafro), que fica no Recife Antigo (rua Mariz e Barros, nº 328, centro da cidade). São duas formações, uma de percussão, das 9h às 12h, e outra de dança, das 14h às 17h.
Vale destacar que o DanzÁfrica Mandén também tem uma parceria com o Muafro, que recebe ações, encontros, ensaios e produções do coletivo. “Essas atividades formativas colaboram para o fortalecimento do diálogo das pessoas locais com as tradições africanas, criando um ambiente de expressão artístico-cultural e de destaque para o reconhecimento das influências das culturas popular e negra no cenário local”, conclui o grupo.
Ficha técnica - DanzÁfrica Mandén em "Uma História de Encontros"
Coreógrafa e dançarina: Juliana Zacarias
Dançarinas: Darana Costa, Ewelinny Correia, Obailê Santana e Odara Canuto
Percussão: Bruno Victor, Guilherme Cavalcanti, Isaac Souza, Tito Farias e Vini Morais
Produção executiva: Marcela Souza
Assessoria de imprensa: Daniel Lima
Mídias sociais e design: Casa 5
Técnico de som: Luan Albuquerque
Técnico de luz: Marcelo Sampaio
Roadie: Emmanuel Santos
Figurino: Emerson Rodrigues (Em Cores Ateliê) e Rodrigo Zarina
Tecidos do figurino: Dandara Ire
Maquiagem: Paula Badu
Incentivo público: edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), via Ministério da Cultura, Governo Federal, além da aprovação estadual por meio do Governo do Estado de Pernambuco.
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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