Lead

Zé Paulo Sierra explica a escolha de fazer o chamado “caminho reverso”: abandonar temporariamente o Grupo Especial para integrar o projeto de acesso da União de Maricá. A aposta deu certo — a escola garantiu o acesso ao Grupo Especial para 2027 — e o intérprete descreve o projeto como de longevidade, além de comentar sua jornada dupla ao assumir o microfone da Portela em momento de luto.

Trajetória e escolhas

O intérprete lembra que a decisão foi inspirada pela vivência na Viradouro entre 2013 e 2014, quando participou de um trabalho de resgate que terminou em título. Ao aceitar o convite da Maricá, Zé Paulo quis reconstruir uma história semelhante: pediu ao presidente se a proposta permaneceria mesmo em caso de não subida e, depois do Carnaval de 2025, reafirmou sua disponibilidade para atuar no Acesso. Por fim, a coincidência favoreceu o projeto: a União de Maricá subiu já no seu primeiro ano e garantiu o acesso para 2027.

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Sobre a missão provisória na Portela, ele afirma que foi chamado porque já conhecia o samba campeão da disputa e tinha identificação antiga com a agremiação. Negociou com as diretorias para manter o compromisso com a Maricá e assumiu os dois microfones, descrevendo a experiência como um desafio prazeroso e pessoalmente significativa.

Estrutura, harmonia e julgamento

Zé Paulo destaca a organização do trabalho em Maricá: barracão renovado, sala de ensaios para segmentos como Mestre-sala e Porta-bandeira, projeto de nova quadra e técnico de som exclusivo. Para ele, a diretoria não só investe financeiramente, mas também ouve as demandas de cada segmento, buscando funcionalidade no dia a dia.

Na avaliação técnica, o intérprete aponta que o quesito harmonia se tornou mais complexo após ser redividido em subquesitos. Defende a necessidade de aliar o canto da escola à precisão da ala musical — afinação, uníssono e arranjos — e cita propostas em discussão, como a entrega dos arranjos escritos. A resposta prática, segundo ele, é intensificar os ensaios, inclusive em estúdio, para revelar nuances que o treino de rua não mostra.

No simpósio da Liesa com a presença dos julgadores, Zé Paulo viu avanço na aproximação entre escolas e jurados, considerando o encontro importante para maior transparência e regularidade nas avaliações. Ele relata que as justificativas dos julgadores têm sido lidas com atenção pelas escolas para entender as causas da perda de décimos.

Som da Avenida, streaming e disputas de samba

Sobre o novo sistema de sonorização implementado em 2026, ele elogia o salto de qualidade promovido pela BMX, destacando passagens de som e ensaios técnicos que funcionam como testes. A ausência do carro de som físico não afetou sua dinâmica, já que o intérprete afirma usar fone para retorno.

Quanto à difusão dos sambas, Zé Paulo classifica o streaming como caminho sem volta: os álbuns digitais melhoraram em qualidade e alcance, levando o Carnaval às redes e aos influenciadores. Na economia das disputas, critica o encurtamento das eliminatórias — antes longas, hoje raramente chegam a dez rodadas — e aponta medidas práticas: dar mais tempo entre a entrega do samba e o início das eliminatórias e permitir gravações ao vivo, no barracão, com horário de estúdio para cada parceria, evitando eliminações precoces causadas por apresentações caóticas.

Encerramento

Para Zé Paulo Sierra, o projeto em Maricá é de construção a longo prazo e exige rigor técnico e muitos ensaios para adaptar o talento da comunidade ao crivo do Grupo Especial. Sobre suas escolhas e a missão dupla, ele resume a experiência sem arrependimentos, mantendo o foco na trajetória e no desafio de consolidar a escola na elite do Carnaval.