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O Carnaval paulistano deu um passo significativo rumo à sustentabilidade com o lançamento do projeto Carnaval Sustentável SP, ocorrido na última quinta-feira no Senai Bom Retiro, em São Paulo. Fruto da colaboração entre a Liga-SP, o SENAI-SP e a UESP, a iniciativa oferece um curso gratuito sobre Economia Circular e Sustentabilidade no Carnaval para a comunidade sambista, visando capacitar mais de 100 instituições em práticas ambientais inovadoras.
Em seu discurso, o presidente da Liga-SP, Renato Remondini, conhecido como Tomate, expressou otimismo: “É uma oportunidade que, se Deus quiser, São Paulo vai exportar para todo o Brasil”.
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Alexandre Magno, o Nenê, presidente da UESP, ressaltou a relevância da união entre as entidades. Ele enfatizou que essa colaboração é fundamental para que as escolas de samba compreendam a importância da sustentabilidade globalmente.
Nenê destacou que materiais descartados pelas escolas do Grupo Especial da Liga-SP representam "ouro" para a UESP. "As entidades precisam reconhecer isso. Precisam saber que esse ouro é muito valioso e, na hora, vai ser transformado em espetáculo nas pistas de barro da UESP", afirmou, ilustrando o potencial de reutilização.
A urgência da sustentabilidade no Carnaval
Mas como a economia circular e a folia se conectam? Lúcia Helena, idealizadora do projeto e diretora cultural da Liga-SP, explicou ao CARNAVALESCO que a grandiosidade alcançada pelo Carnaval paulistano em 2026 – com mais de 80 milhões de visualizações e transmissão para 193 países – impulsionou a necessidade de abordar a sustentabilidade.
Segundo Lúcia Helena, apesar de ser um tema pertinente, a sustentabilidade muitas vezes parece complexa no dia a dia.
"Eu ouço muito técnicos e acadêmicos falarem em sustentabilidade (...), mas, no dia a dia, como é que eu posso contribuir? E aí nós resolvemos simplificar: afinal de contas, quem tem mais capacidade que o carnaval de descomplicar um tema?", questionou Lúcia Helena.
Atualmente, a Liga-SP já incorpora 11 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em suas operações, incluindo reuso de água, inclusão, diversidade, uso de placas solares e coleta seletiva de lixo. No entanto, os impactos industriais da folia muitas vezes são subestimados.
É nesse cenário que o SENAI-SP se integra de forma intrínseca ao universo do carnaval, oferecendo sua expertise.
O professor Carlos Alberto Pereira Coelho, diretor do SENAI Bom Retiro, explicou ao CARNAVALESCO a profunda conexão entre a indústria e o carnaval. "Essa mesma indústria é a indústria que também faz o carnaval. Não tem carnaval sem isopor, você não tem carnaval sem tecido, você não tem carnaval sem ferragem, e todo esse material é feito na indústria", pontuou.
Ele enfatizou que a integração entre indústria e desenvolvimento sustentável é uma necessidade ética e global. A correta destinação dos materiais utilizados no carnaval é uma responsabilidade compartilhada, pois "para a indústria também é importante que esses materiais tenham o destino correto, porque faz parte da cadeia de fornecimento dela. O tema é trabalhado em toda a cadeia: circularidade", complementou.
Os pilares da economia circular
Durante o lançamento do curso, a economia circular foi conceitualmente detalhada, ancorada em três princípios fundamentais: eliminar resíduos desde a origem, assegurar que os materiais permaneçam em circulação e promover a regeneração da natureza. Essas diretrizes visam gerar melhorias ambientais, sociais e econômicas.
Curiosamente, o Carnaval paulistano já aplicava, de forma intuitiva, muitas das lógicas da economia circular, mesmo sem formalizar esses conceitos. Lúcia Helena, novamente, esclareceu esse ponto ao CARNAVALESCO.
"O nosso pessoal já fazia muita coisa de forma intuitiva. Aproveitando o tecido, aproveitando pedra e reutilizando escultura; sem a técnica. Fazendo por necessidade, muitas vezes", explicou ela.
"Mas sem a consciência de que, com aquela prática, ele estava fazendo muito mais do que reaproveitar uma pedra ou reaproveitar um tecido. Ele estava também trabalhando na economia circular e cuidando do planeta um pouquinho", complementou, destacando a prática sustentável inata da comunidade.
A contribuição do carnavalesco Igor Carneiro foi crucial para o projeto, segundo Lúcia Helena. Sua participação foi decisiva para traduzir a linguagem técnica do SENAI-SP para o vocabulário acessível aos integrantes da folia paulistana.
A estrutura do curso foi apresentada de maneira dinâmica e moderna, garantindo flexibilidade de acesso, já que o conteúdo estará disponível online. Isso permite que a teoria se alinhe diretamente à prática e à realidade dos sambistas.
O programa abrange desde o conhecimento sobre tipos de materiais e seus impactos socioambientais até a organização do ambiente de trabalho, aplicação de ferramentas de avaliação e desenvolvimento de novas estratégias de negócio.
Detalhes para participação no curso
Confira os detalhes essenciais para quem deseja participar:
- Início do curso: 08 de junho de 2026
- Prazo de conclusão: 21 dias
- Duração: 16 horas
- Ao final do curso, todos receberão certificado do SENAI Bom Retiro
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