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A Comunidade Quilombola Pilões de Iporá, localizada em Goiás, lançou o projeto "Saberes do Cerrado" na última sexta-feira, dia 10 de julho, com o objetivo de expandir a produção e comercialização de biojoias e macramê. Esta iniciativa crucial, que conta com o apoio da Equatorial e a parceria estratégica do Sebrae Goiás, visa qualificar os produtos artesanais, gerar renda para as famílias quilombolas e dar maior visibilidade à rica cultura e tradição local.
O projeto "Saberes do Cerrado" é a materialização de um desejo antigo da comunidade. Mulheres do quilombo, que tradicionalmente criavam biojoias e peças de macramê para uso próprio utilizando produtos nativos do cerrado, decidiram há cerca de um ano expandir essa produção para fins comerciais. O apoio da Equatorial tem sido fundamental para essa transição, permitindo que a arte ancestral se torne uma fonte de sustento e desenvolvimento econômico para as famílias.
Nesse percurso de profissionalização, o Sebrae Goiás se une à associação para oferecer suporte estratégico. A parceria visa capacitar as artesãs no desenvolvimento comercial, ampliar a renda local e conceder maior visibilidade ao trabalho da comunidade quilombola. O analista do Sebrae Goiás, Áquila Queiroz, enfatiza o compromisso da instituição em apoiar empreendedores que buscam aprimorar seus negócios.
Áquila Queiroz detalhou a visão do Sebrae para a parceria. "Quando a comunidade nos procurou, identificamos a grande potencialidade desse grupo. Nosso objetivo é auxiliá-las a elevar a qualidade da produção, fortalecer a área comercial, desenvolver novas linhas de produtos e, consequentemente, gerar mais renda para o quilombo", explicou. Ele também mencionou a intenção de integrar o grupo ao programa Plural do Sebrae Goiás, visando ampliar ainda mais a visibilidade e a pluralidade dessa cultura originária.
Sebastiana Roberto Martins, conhecida como Tianinha Pilão e presidente do Quilombo, expressou entusiasmo com a colaboração. Ela ressaltou que a parceria com o Sebrae é fundamental para fortalecer o empreendedorismo e profissionalizar a gestão de produção e vendas. "A parceria com o Sebrae é algo maravilhoso. É impossível não pensar no Sebrae quando almejamos crescimento", afirmou Tianinha Pilão. Ela complementou que a instituição oferece a sustentabilidade necessária para o desenvolvimento empreendedor, exatamente o que a comunidade busca para aprimorar seus processos.
Tatiane Letícia dos Santos Alves, vice-secretária da comunidade e responsável pela comunicação digital, recorda o início da jornada comercial. Ela conta que a decisão de produzir para vender foi impulsionada pela orientação de uma integrante do grupo residente em Goiânia. "A Maria do Cerrado, uma verdadeira pioneira em biojoias do cerrado no estado, foi nosso principal suporte quando começamos a comercializar", destacou Tatiane.
Sustentabilidade e saberes ancestrais
Além das biojoias, Tatiane Letícia Alves enfatiza que a comunidade também se dedica ao macramê. Com um forte compromisso com a sustentabilidade, o grupo realiza o reflorestamento de árvores nativas do cerrado e cultiva uma horta com plantas medicinais e PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais). "Nosso propósito é educar as pessoas sobre o consumo dessas plantas alimentícias, muitas vezes desconhecidas, que podem ser um auxílio valioso, especialmente para famílias em vulnerabilidade, devido à facilidade de cultivo e rápido crescimento", explicou.
A vice-secretária reforçou a relevância da parceria com o Sebrae. Ela apontou que, apesar do progresso recente, a comunidade ainda enfrenta desafios em áreas como precificação, organização administrativa e logística de vendas. "Esperamos que, com o apoio do Sebrae, recebamos a orientação essencial para transformar nosso grupo em uma comunidade empreendedora plenamente estruturada", declarou. A comunidade Pilões, combinando saberes e tradição, já explora a inovação, integrando o macramê às biojoias, uma fusão que tem gerado resultados promissores.
O legado do macramê
Sueli Alves Borges, a artesã-chefe do macramê na associação, é a guardiã e transmissora desse conhecimento ancestral. "É uma arte que herdei da minha avó e que fazemos questão de repassar para outras mulheres, para que essa técnica artesanal não se perca com o tempo", explicou Sueli. Ela acrescentou que muitas já dominam a produção e que a técnica já está sendo incorporada nas biojoias, agregando valor e originalidade aos produtos.
Com essa nova perspectiva, as mulheres da associação buscam conciliar a rentabilidade com a preservação de uma valiosa tradição familiar. O artesanato, incluindo o macramê e a confecção de biojoias, é transmitido a novas gerações por meio de oficinas. A comunidade também demonstra uma clara consciência sobre a importância do reflorestamento e do cultivo de hortas para o sustento familiar, comprovando que sustentabilidade e geração de renda são pilares que podem caminhar juntos, gerando benefícios para todos.
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