A segunda edição da Festa Internacional da Palavra irá transformar Itaúnas, no Espírito Santo, em um polo de literatura entre os dias 21 e 24 de maio de 2025. Com idealização e direção artística da escritora e atriz capixaba Elisa Lucinda, a Festa da Palavra reúne grandes nomes da literatura nacional, aliando arte, oralidade e resistência cultural em um evento que atravessa gêneros, gerações e territórios.

A 2ª Festa Internacional da Palavra visa explorar a pluralidade de vozes e a inclusão cultural, dando protagonismo às narrativas decoloniais, indígenas, afro-brasileiras e quilombolas, trazendo autores que ressignificam a literatura e reafirmam a força da oralidade como um dos pilares da identidade nacional.  

"Ler amplia nossos recursos para interpretar melhor a vida. Nos dá repertório. Nosso lema deste ano é: Ler a vida! A Festa da Palavra leva esse nome porque ali ela é a protagonista. Tão sutil, tão intensa, tão banal, tão discreta, tão densa… a palavra nos une e tem um grande potencial antibélico”, diz a atriz e diretora artística Elisa Lucinda.

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Com curadoria da escritora e dramaturga Guiomar de Grammont e Lívia Corbellari, a festa busca ser um espaço de transformação e escuta ativa, possibilitando que autores de diferentes contextos compartilhem suas vivências para um público que busca entender e reconstruir narrativas.

“As vozes plurais que compõem a Festa da Palavra, para mim, lembram as dunas que flutuam na linha do mar em Itaúnas, cidade que parece ter saído de um romance do realismo mágico.  Por isso, ela é o cenário ideal para esse evento que celebra a liberdade de expressão e a diversidade em todos os sentidos: cultural, étnico e de gênero.  Elisa Lucinda e eu trabalhamos juntas na construção de uma programação decolonial por excelência, com ressonâncias da oralidade quilombola e indígena e da potência da literatura negra produzida no Brasil”, enfatiza Grammont.

Este ano, a Festa homenageia dois grandes nomes da literatura e da luta pelos direitos culturais no Brasil: Nêgo Bispo e Bernadette Lyra. Antonio Bispo dos Santos, conhecido como Nêgo Bispo, foi filósofo, poeta, escritor, professor e líder quilombola, deixando um legado de resistência e pensamento crítico sobre identidade, terra e ancestralidade. Já Bernadette Lyra, uma das escritoras mais importantes do Espírito Santo, é reconhecida por sua vasta contribuição à literatura brasileira, explorando os gêneros de ficção e narrativa histórica.

O evento conta com participações de destaque, começando pela escritora, roteirista e ativista social cubana Teresa Cárdenas. Entre os escritores e poetas nacionais, estão nomes como a escritora e pedagoga Kiusam de Oliveira, o escritor e quadrinista Estevão Ribeiro, a escritora Marília Cafe, o jornalista, escritor e ex-deputado federal Jean Wyllys, a poeta e cronista Ediphôn Souza a jornalista e escritora Livia Corbellari, o escritor e curador Saulo Ribeiro, a escritora e articuladora política Selma Dealdina Mbaye, a atriz e poeta Elisa Lucinda, o escritor Itamar Vieira Junior, ganhador de dois prêmios Jabuti, o autor e poeta popular Arquimino dos Santos, a escritora e atriz Ingrid Carrafa, a escritora, roteirista e jornalista Eliana Alves Cruz, a escritora Bernadette Lyra, a atriz, poeta e autora Suely Bispo, a escritora Guiomar de Grammont, a escritora de literatura de cordel capixaba Katia Bobbio.

Também marcam presença o secretário de formação cultural, livro e leitura do MinC Fabiano Piúba, a deputada estadual do ES Camila Valadão, e o professor e slammer João Martins, além do dançarino e poeta Marceu Rosário, a escritora e jornalista Aline Dias, o professor e pesquisador Jeferson Gonçalves, a escritora e contadora de histórias Lilian Menenguci, Nando Rodrigues, Juane Vaillant, Geovana Pires e muitos outros artistas locais.

No campo do pensamento e ativismo, destacam-se e o escritor, pensador e ativista indígena Ailton Krenak, a pensadora e ativista indígena Yakui Tupinambá, o filósofo Renato Nogueira, a pesquisadora e filha do Nêgo Bispo Joana Maria, e a pesquisadora ambiental Marta Tristão.

Já na música, o evento recebe a cantora e compositora Sandra Sá, a cantora Bia Ferreira, e o cantor Chico César.

A Festa também dialoga diretamente com a juventude e a educação, incentivando a formação de leitores críticos e conscientes. "Precisamos que nossas crianças e jovens tenham acesso às obras que reflitam suas realidades e heranças culturais. Quando um jovem negro, indígena ou quilombola se vê na literatura, ele entende que seu lugar no mundo também pode ser escrito, contado e celebrado", conclui Elisa.