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Com arte, coletividade, dança, história, música, teatro e performance, o Ọnà Dúdú — circuito histórico-performativo por quatro estações-territórios negros do Bairro do Recife — faz novo percurso e abre seus caminhos em 2025. A itinerância está entre as atividades do Conecta Latinas, encontro internacional que reúne lideranças femininas negras, indígenas, jovens e LGBTQIA+ de cerca de 20 países, com a cidade do Recife sendo sede da edição deste ano. A excursão Ọnà Dúdú acontece no dia 25 de maio (domingo), com a concentração na Torre Malakoff, às 15h. A programação é gratuita, mas não aberta ao público geral.
Para conhecer e vivenciar o circuito por caminhos negros do centro recifense, é garantida a presença das mulheres que fazem política na América Latina, Caribe e África, além das brasileiras de diversos estados. São 50 vagas destinadas exclusivamente para as pessoas que estão participando do evento. O Ọnà Dúdú tem a produção do dramaturgo e sacerdote de candomblé Marconi Bispo, que conduz a itinerância como ator-guia, juntamente com a artista Brunna Martins, e também apresenta o espetáculo autobiográfico "re_Luzir".
Foto: Marcos Pastich/PCR
É possível dizer que o Ọnà Dúdú chega ao Conecta Latinas lançando roteiro com estreia de percurso e novas apresentações artístico-culturais na formação da itinerância, com a seguinte rota e performances: Torre Malakoff (estação 1 - "Mandinga", da artista Clau Barros); Solo Gens (estação 2 - "Jurema Jazz", com musicistas Neris Rodrigues e Thulio Xambá, e trecho do espetáculo autobiográfico "re_Luzir”, de Marconi Bispo); Espaço Cênicas (estação 3 - "O Encontro da Tempestade e a Guerra", do Circo Experimental Negro, com a dupla de artistas Hammai Assis e Rob Silva); Muafro (estação 4 - Ara Agontimé, com as artistas Dandara Marques e aline sou, apresentação do maestro Parrô Mello e trecho do "re_Luzir").
Foto: Marcos Pastich/PCR
O Ọnà Dúdú sempre traz artistas e coletivos negros para os movimentos da itinerância, resgatando memórias da negritude pernambucana, nacional e mundial. As palavras Ọnà e Dúdú são da língua africana Yorubá, falada principalmente na Nigéria. Ọnà significa rua, caminho, estrada, acesso, indicação, método, maneira e forma de se fazer algo. Ọnà também é arte, obra de arte e o nome de um rio africano. Já Dúdú leva o significado de ser preto e negro.
O circuito também é um espaço coletivo de criação artística, de expressão da identidade e de valorização e empoderamento da cultura negra, com as apresentações que compõem a excursão sendo desenvolvidas a partir de temáticas racial, social, de gênero, política, cultural e educativa. A andança pelo Recife Antigo tem como objetivo a busca pelo compartilhamento das histórias e presenças dos negros e negras na construção do centro da cidade.
Foto: Marcos Pastich/PCR
Todas as atividades que formam o Ọnà Dúdú propõe o questionamento de que cidade negra é essa que, a despeito de tanta presença — até o fim do tráfico (1856) registrou em torno de um milhão de africanos e africanas —, ainda se faz ignorada e invisibilizada.
Como reflexão da itinerância, Marconi Bispo comenta: “Que caminhos essas pessoas abriram nesta cidade aquática? Onde esses caminhos desaguaram? Nós estamos reunidos por eles e elas. Toda uma cidade foi erguida a partir desta presença. Atuaremos como este rio africano chamado Ọnà, reabrindo sulcos nessa terra racista onde pisamos. Somos artistas negros e negras, cada qual movendo suas expressões artísticas a partir desta singularidade e ancestralidade. Nossa ação é escavatória, uma tentativa de fazer lembrar que as ruas (Ọ̀nà) deste bairro são negras, ontem e hoje”.
Em atividade desde 2022, ano da estreia, a itinerância ocorreu três vezes na história. A realização mais recente do circuito aconteceu no Festival Recife do Teatro Nacional (FRTN), em novembro de 2024. Anteriormente, em março do mesmo ano, o Ọnà Dúdú ocorreu com o incentivo público, com o financiamento da Lei Paulo Gustavo/2023, por meio do Edital Multilinguagens – Recife Criativo, da Prefeitura da Cidade do Recife.
O roteiro dos circuitos anteriores seguiu esse percurso: Cruz do Patrão (estação 1 - Ara Agontimé - Jamila Marques, Dandara Marques e Renata Mesquita; bailarinas convidadas: aline sou e Juliana Zacarias); comunidade do Pilar (estação 2 - Circo Experimental Negro - Hammai Assis e Rob Silva; com a presença de Ana Cláudia Miguel e Adriana Santos, lideranças comunitárias do Pilar); Teatro Apolo e rua da Guia (estação 3 - Parrô Mello, Neris Rodrigues e Thúlio Xambá); Paço do Frevo (Marconi Bispo e o seu espetáculo “re_Luzir”, juntamente com Miguel Mendes, João Guilherme de Paula e André Xavier).
Pesquisa
Marconi elenca dados históricos, entre eles o de que o Recife foi a cidade campeã em crianças africanas traficadas, 5º centro mundial e 3º do Brasil de tráfico escravista, e o de Pernambuco ter recebido o 1º navio negreiro em 1560, a pedido de Duarte Coelho, além do número de 853 mil pessoas trazidas escravizadas para Pernambuco e do fato de que o Recife tem na presença africana um dos elementos basilares de sua formação do que habita a cidade.
Conecta Latinas
Entre as presenças confirmadas no evento estão Valdecir Nascimento (Articulação de Mulheres Negras Brasileiras), Paola Cabezas (deputada nacional do Equador), Mikaelah Drullard (ativista e escritora travesti-negra) e Leonela Massocolo (ativista angolana). De 22 a 25 de maio no Recife, o Conecta Latinas tem a realização do Instituto Update em parceria com outras organizações que formam um comitê internacional: Afrocaracolas (México), Amuafroc (Colômbia), ANMIGA (Brasil), Auna (México), Corporación Amigos de Unesco (Colômbia), Instituto Alziras (Brasil), Instituto Marielle Franco (Brasil), Instituto Odara (Brasil), Mujeres de Azfalto (Equador), Kilombo Negrocentricxs (Chile), Unidas Somos Mais Fortes (Angola), Victory (internacional) e Instituto Update (regional).
As atividades do Conecta Latinas ocupam a Torre Malakoff, na Praça do Arsenal.
Ọnà Dúdú - confira a itinerância para o Conecta Latinas
Data do circuito: 25/05 (domingo)
Horário da concentração: 15h
Entrada: gratuita, mas não aberta ao público geral (50 vagas destinadas exclusivamente para as pessoas que estão participando do evento)
Percurso
ESTAÇÃO 1: Torre Malakoff, Praça do Arsenal, s/n
Performance: "Mandinga", de Clau Barros
ESTAÇÃO 2: Solo Gens, Sede do Grupo São Gens de Teatro, rua do Apolo, nº 170
Performances: "Jurema Jazz", com Maestrina Neris Rodrigues e Thulio Xambá; Marconi Bispo, trecho do espetáculo autobiográfico "re_Luzir"
ESTAÇÃO 3: Espaço Cênicas, Sede da Cênicas Cia. de Repertório, rua Vigário Tenório, nº 199, sala 201
Performance: "O Encontro da Tempestade e a Guerra", do Circo Experimental Negro, com Hammai Assis e Rob Silva
ESTAÇÃO 4: Muafro — Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro, rua Mariz e Barros, nº 328
Performances: Ara Agontimé, com as artistas Dandara Marques e aline sou; maestro Parrô Mello; Marconi Bispo, trecho do espetáculo autobiográfico "re_Luzir".
Publicado por:
Daniel Lima
Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.
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