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Metrô no Bixiga: Manifestantes saem às ruas neste sábado e querem parar obras no sítio arqueológico

Quilombo

Metrô no Bixiga: Manifestantes saem às ruas neste sábado e querem parar obras no sítio arqueológico

Concessionária prossegue com obras no local de antigo quilombo Saracura, onde foram achados vestígios arqueológicos de alta relevância

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O coletivo Mobiliza Saracura Vai-Vai contará com a adesão de diversas instituições e lideranças políticas e religiosas, para o Ato pela Preservação do Sítio Arqueológico Saracura no Bixiga, em São Paulo, que acontece neste sábado, 2 de julho, a partir das 10h. A concentração será na entrada do canteiro das obras do metrô da Linha 6 - Laranja, em frente à Parada 14 Bis (entre as ruas Manoel Dutra e Lourenço Granato). O objetivo  do movimento é defender o legado negro do bairro e garantie a salvaguarda do patrimônio encontrado na região onde estava localizada a quadra da Escola de Samba Vai-Vai. 

O ato contará com a presença de moradores do bairro, baluartes do samba, lideranças religiosas, entidades, blocos, ativistas, políticos e pesquisadores que vêm participandodo movimento e/ou apoiando o manifesto lançado há uma semana. O documento já conta com a assinatura de mais de cem instituições de relevância na militância negra e na
comunidade acadêmica de todo o Brasil, tais como MNU, Uneafro, Casa Sueli Carneiro, Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, MSTC, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), União dos Amigos da Capela dos Aflitos, Instituto Tebas, Centro de Estudos Periféricos da Unifesp, LabCidade FAU-USP, entre outras.

A abertura do Ato será feita com a benção de ialorixás, seguida da leitura do manifesto por representantes mais velho/as do movimento. Intervenções artísticas e de lideranças religiosas farão parte do trajeto, que terá acompanhamento de ritmistas e seguirá pelas ruas Manoel Dutra, Santo Antônio, Almirante Marques de Leão, Una e Rocha.

Além do manifesto, o movimento lançou uma petição pública pela mudança do nome da Estação 14 Bis para Saracura/Vai-Vai: https://chng.it/dv9B7NJ2qk

Ato público quer a Estação Saracura/Vai-Vai e não "14 Bis"

Quilombo Saracura

Em 9 de outubro de 1907, uma crônica do jornal Correio Paulistano descrevia assim a região
do vale do rio Saracura, no Bixiga: "É um pedaço da África. As relíquias da pobre raça,
impellida (sic) pela civilização cosmopolita que invadiu a cidade depois de 88, foi dar alli
naquelas furnas. Uma linha de casebres borda as margens do riacho.

Passados 115 anos, a escavação para a construção da linha 6-Laranja do metrô encontrou
um sítio arqueológico classificado como de alta relevância pela equipe técnica do Iphan em
seu registro. "Trata-se de uma pequena área com vestígios arqueológicos, de transição
do século XIX para o XX e primeira metade do XX, localizada às margens do córrego
Saracura;, informa o cadastro de abril de 2022 (página 43 do projeto).

A área em que os vestígios foram encontrados é apontada há décadas como o Quilombo
Saracura, comunidade do século XIX que deu origem ao bairro do Bixiga. Nesta região
nasceu, em 1930, o Cordão Vae-Vae, continuidade dessa resistência negra. Em 2021, a
quadra da escola foi deslocada para novo endereço no bairro em virtude das obras do metrô.

Da compreensão do valor desses achados para o direito à memória, à terra e à presença
da população negra no bairro e na cidade, o Mobiliza Saracura Vai-Vai se formou.
Composto por moradores, sambistas, pesquisadores, militantes negros, o movimento atua
pela paralisação da obra até que seja definido um projeto de preservação; por um
projeto de educação patrimonial e um memorial no local; pela mudança do nome da
estação do metrô de 14 Bis para Saracura/Vai-Vai; e pela permanência da população
negra na região, de forma que a chegada do transporte não seja agente de gentrificação. O
movimento deseja o metrô no bairro, mas quer que o território seja respeitado.


Acompanhe nossas ações: @estacaosaracuravaivai
Para mais informações: estacaosaracuravaivai@gmail.com

FONTE/CRÉDITOS: Texto: Claudia Alexandre
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Divulgação
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