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Sexta, 01 de julho de 2022

Quilombo

Movimento Estação Saracura/Vai-Vai questiona laudo sobre sítio arqueológico nas obras do metrô do bairro do Bixiga

A ação coletiva é formada por representantes da sociedade civil com um grupo multidisciplinar com arqueólogos, juristas, jornalistas, pesquisadores, agitadores culturais,moradores

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A primeira reunião do Movimento Estação Saracura-Vai-Vai foi realizada na noite de 13 de maio, no MUMBI – Museu Memória do Bixiga, com a participação de mais de 60 pessoas, presencialmente e on-line.  Entre as organizações representadas estavam Uneafro, Peregun, Cojira-SP, Unafro, Escola de Samba Vai-Vai, Marcha de Mulheres Negras, MNU, MSTC, Instituto Tebas, Movimento da Capela dos Aflitos, Ojú Obinrín – Observatório de Mulheres Negras, mandatos da bancada feminista, Érica Hilton, Leci Brandão, Juliana Cardoso, Luana Alves e Toninho Vespoli, entre outros.  

A iniciativa questiona o andamento da obra de construção da Estação 14 Bis, da Linha 6-Laranja do metrô, na área reconhecida como Sítio Arqueológico Histórico Saracura-14 Bis. No local foram encontrados materiais que estão associados às ocupações negras do início do século 20 (garrafas, louças, entre outros). Parte dos vestígios foram achados entre as ruas Dr. Lourenço Granato e Manoel Dura, próximo ao local onde estava instalada há 50 anos, a sede da Escola de Samba Vai-Vai. A Vai-Vai foi retirada da Rua São Vicente, 276, esquina com a Dr. Lourenço Granato, em novembro de 2021, após um acordo com a concessionária do metrô.  O problema é que o Iphan, baseado em um relatório de impacto ambiental da obra, tem afirmado que os “vestígios arqueológicos” seriam recentes, consequência do aterramento do córrego Saracura e não remetem ao quilombo.

De acordo com o arqueólogo Alessandro Luís Lopes de Lima, “a Saracura possui uma longa história de no mínimo dois séculos, surgiu autônoma e se constituiu uma comunidade remanescente de quilombo durante o século 20. Há documentos afirmando a presença de quilombolas desde o início do século 20. Qualquer coisa encontrada ali, faz parte da história dessa população”, afirmou.

O principal objetivo é que as obras sejam paralisadas até que a Linha Uni, concessionária da Linha 6-Laranja e IPHAN se posicionem sobre as considerações emitidas pela empresa A Lasca, que realizou o monitoramento arqueológico na área que compreende a Praça 14 Bis e a futura Estação 14 Bis. A Linha 6-Laranja é um consórcio privado, cuja acionista majoritária é a empresa espanhola Acciona. No relatório de impacto ambiental emitido em março de 2021, a empresa confirma que no local foram achados “vestígios arqueológicos”, mesmo assim obras estão em andamento.

Na pauta de mobilização estão incluídas a construção de um parecer reivindicando o Sítio Arqueológico do Quilombo Saracura, questionando a dubiedade da análise da empresa A Lasca, que assina o “Projeto de Resgate Arqueológico Sítio Saracura/14 bis”, enviado ao Iphan;   um Manifesto Estação Saracura/Vai-Vai, reivindicando inclusive a alteração do nome da estação do metrô, prevista para ser Estação 14 Bis; além do desenvolvimento de um portal e organização de material audiovisual do Movimento Estação Saracura Vai-Vai. O grupo também contará com o apoio de uma comissão de representação judicial.

Para reportagem do Guia Negro, publicada no último dia 13 de maio,  o Iphan respondeu que “o Sítio Saracura-14 Bis-Estação está devidamente cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão e que pesquisas arqueológicas estão sendo desenvolvidas por empresa de consultoria devidamente autorizada, contratada pelo consórcio, no referido sítio arqueológico”.

Fonte/Créditos: Texto: Claudia Alexandre

Créditos (Imagem de capa): Arquivo/Escola de Samba Vai-Vai - Cordão Vae Vae em 1966

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