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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta semana a oitava fase da Operação Compliance Zero, que apura o suposto envolvimento do ex-governador Cláudio Castro em um esquema de aplicação irregular de R$ 3,6 bilhões. Esses recursos, oriundos da previdência dos servidores fluminenses, teriam sido direcionados para Letras de Crédito e fundos do Banco Master.
A origem desses vultosos investimentos é a RioPrevidência, autarquia encarregada da gestão dos ativos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Esta entidade é fundamental para o pagamento de aposentadorias e diversos benefícios a mais de 235 mil servidores, tanto ativos quanto inativos, do estado do Rio de Janeiro.
Conforme a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a busca e apreensão na residência de Castro, a PF reuniu indícios substanciais. Estes apontam que o ex-governador teria desempenhado um “papel politicamente relevante” para facilitar os aportes da RioPrevidência no Banco Master.
Em contrapartida a essa suposta facilitação, teriam sido pagas vantagens indevidas aos envolvidos. Tais investimentos da RioPrevidência, inclusive, teriam ocorrido em desacordo com a política conservadora de aplicação de recursos financeiros que rege o RPPS.
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A operação resultou no cumprimento de dez mandados de busca e apreensão, executados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Além de Cláudio Castro, a investigação tem como alvos Ricardo Siqueira Rodrigues, identificado como lobista e suposto operador do esquema, e Deivis Marcon Antunes. O ex-presidente da RioPrevidência já havia sido detido em uma fase anterior desta mesma apuração.
As diligências foram impulsionadas por mensagens cruciais extraídas de um dos aparelhos celulares de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Para aprofundar-se no tema, acesse a matéria completa sobre o caso na Agência Brasil.
A Polícia Federal também conduziu uma minuciosa análise de sincronização, cruzando encontros e contatos entre Daniel Vorcaro e Cláudio Castro com as datas e valores dos aportes realizados pela RioPrevidência.
O ministro Mendonça destacou em sua decisão que “a relação de Daniel Bueno Vorcaro e Cláudio Bomfim de Castro e Silva trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional”. Ele ressaltou que foram encontrados “indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000 em investimentos no Banco Master, somando-se os montantes aplicados em fundos e Letras Financeiras”.
Um relatório parcial da PF, citado na decisão de Mendonça, detalha que entre outubro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência efetuou aportes de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master.
Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, devido a supostos entraves regulatórios, novos investimentos foram feitos. Desta vez, os aportes totalizaram R$ 2,01 bilhões e foram direcionados a fundos estruturados pelo mesmo grupo financeiro.
O ministro André Mendonça enfatizou que todos esses movimentos ocorreram “em contexto de crescente dificuldade do banco”.
Comando da RioPrevidência
As investigações também sugerem que a atuação do esquema teve início com a alteração do comando da RioPrevidência. Cláudio Castro teria nomeado indivíduos alinhados aos interesses do grupo criminoso para posições estratégicas na autarquia.
Vale ressaltar que o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado, sob alegações de falta de liquidez e reincidentes suspeitas de fraudes financeiras. Desde a eclosão do escândalo, múltiplas frentes de investigação foram abertas para examinar as conexões de Daniel Vorcaro com agentes públicos.
A Agência Brasil permanece em contato com as defesas dos envolvidos, mantendo o espaço aberto para quaisquer manifestações ou esclarecimentos que desejem apresentar.
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