No comando de um dos coletivos culturais mais pulsantes do Rio, as irmãs empreendedoras mostram que liderar com afeto, visão e ancestralidade é também uma forma de revolucionar a cena artística e reafirmar o protagonismo da mulher preta.

No dia 25 de julho, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o Rio de Janeiro se iluminou com ações que reconhecem a contribuição inestimável das mulheres negras para a cultura, a política e o empreendedorismo no país. Em meio a essas homenagens, foram destaque as irmãs Rô Sant’Anna e Mary Jane, idealizadoras e gestoras do Arte Relax, coletivo que se consolida como referência em inovação, representatividade e potência criativa.

Mais do que um empreendimento cultural, o Arte Relax é um projeto de vida guiado por propósito. Por trás do CNPJ Arte Relax, existe força e potência feminina preta — uma liderança que não apenas ocupa espaços, mas os transforma com coragem, estratégia e sensibilidade.

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O espaço físico abriga três teatros, uma drinkeria temática e uma sala de podcast, funcionando como ponto de encontro de artistas, pensadores, produtores e públicos que compartilham o desejo por uma arte plural, viva e acessível. “Como gestoras negras, criamos pontes e abrimos portas. Liderar esse coletivo é também conduzir uma mudança simbólica no modo como se produz arte no Brasil”, destaca Mary Jane.

Entre os projetos assinados pela dupla, estão o Top Drag, que exalta a arte transformista com criatividade e espetáculo; os irreverentes Sábados de Graça Mas Paga, que combinam humor e crítica social; e o Festival de Stand-Up Comedy, que revela talentos da comédia nacional com identidade e afeto.

As produções teatrais também ocupam lugar central nas realizações do grupo, como no caso da aclamada Cinderela Negra, releitura do clássico infantil que reposiciona a protagonista como uma mulher negra, contemporânea e empoderada — uma metáfora potente sobre representatividade e justiça simbólica nos palcos.

Homenagear Rô Sant’Anna e Mary Jane é reconhecer o poder de transformar territórios e narrativas por meio da arte. Mulheres negras que, com coragem e competência, mostram que empreender é também um gesto político — e que o CNPJ pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social quando conduzido por mãos pretas e femininas.