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A Unidos do Porto da Pedra deu o pontapé inicial para o Carnaval 2027 no último sábado, em sua tradicional feijoada, ao apresentar oficialmente o enredo afro “Porto Kalunga”. O “Tigre” de São Gonçalo, com o objetivo de retornar ao Grupo Especial, mergulhará na histórica missão artística brasileira em Angola, que no final da década de 1970 levou grandes nomes da MPB para uma imersão cultural na África pós-independência.
O evento, marcado pela alegria e união, contou com a presença de escolas convidadas como Cubango, União de Maricá e União da Ilha do Governador, que animaram o público em uma vibrante confraternização carnavalesca.
Desenvolvido pelos carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini, com o apoio das enredistas Thainá Santos e Beatriz Chaves, o tema “Porto Kalunga” propõe celebrar essa travessia que transformou a identidade da MPB e reafirmou os laços ancestrais entre as duas nações.
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A voz dos criadores: ‘Estamos kalunguisados’
Após o anúncio oficial, os carnavalescos Alex Carvalho e Caio Cidrini detalharam a concepção do projeto e suas expectativas para o desfile em entrevista exclusiva.
“As expectativas são as melhores possíveis, pois era um desejo nosso e da escola desenvolver um enredo afro, mas que fugisse do convencional. Quando nos reunimos com a agremiação, o tema ‘Porto Kalunga’ surgiu como um desejo comum”, explicou Alex Carvalho.
Ele acrescentou que a logomarca do enredo, com o tigre africanizado e a palavra ‘Porto’, brinca com os símbolos e signos que ressoam com o torcedor. “A palavra ‘Porto’ remete à partida, ao ir e vir, à travessia até a Mãe África. ‘Kalunga’ se relaciona com a passagem da morte à vida, a travessia. A comunidade está muito feliz e animada com este enredo, e esperamos um excelente samba”, complementou o artista.
Caio Cidrini reforçou o entusiasmo, enfatizando a relevância contemporânea da proposta. “Minha maior expectativa é por um samba de qualidade, pois é um enredo contemporâneo que aborda ancestralidade e a riqueza da música popular brasileira, conectando Angola, Rio de Janeiro e Brasil”, afirmou.
Cidrini também revelou a origem inusitada da ideia: “Encontrei esse enredo em uma aula de mestrado na UERJ, enquanto estudava História da Arte. Assisti a um trecho de documentário sobre o ‘Projeto Kalunga’ no Museu de Arte do Rio e imediatamente percebi o potencial. Compartilhei com Alex, e a ideia se alinhou perfeitamente com a demanda da Porto da Pedra por um tema afro”.
Para o desenvolvimento, eles convidaram as escritoras Thainá Santos e Beatriz Chaves, “mulheres pretas que possuem um pertencimento natural ao tema. Foi quando eu disse: pessoal, estamos ‘kalunguisados’, tem que ser este enredo”, detalhou Cidrini.
A força da proposta rapidamente convenceu a diretoria, segundo Alex Carvalho. “Apresentamos outras duas opções, mas deixamos claro que queríamos o ‘Porto Kalunga’. Quando o presidente perguntou se daria um bom samba, respondi que seria difícil não dar, pois estamos falando de cerca de 60 artistas da MPB, como Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Djavan e Martinho da Vila, que foram para Angola. A história é encantadora e contemporânea, com muitos artistas ainda vivos. Então, embarcamos e estamos ‘kalunguisados’”, ressaltou.
Em um momento de emoção, Caio Cidrini destacou o profundo impacto humano da missão. “Os depoimentos e documentários disponíveis na internet são comoventes. Todos voltaram transformados. Dona Ivone chorou ao ver o mar, Dorival Caymmi se impressionou com Lobito, e Martinho virou embaixador de Angola. É impossível não ser tocado por essa viagem. Espero que a Porto da Pedra também viaje e se transforme com este enredo”, concluiu.
A bateria e a harmonia: otimismo no pavilhão
Mestre Pablo, responsável pelo ritmo da escola, compartilhou seu otimismo para o novo ciclo. “A expectativa é a melhor possível. A Porto da Pedra montou um timaço e estamos trabalhando com muito pé no chão e humildade. Com duas vagas para o Grupo Especial, uma precisa vir para São Gonçalo, para o Tigre. O trabalho com o carnavalesco já está em andamento há algum tempo, e o presidente não está medindo esforços para recolocar a escola no lugar que merece”, declarou.
Sobre a sonoridade que o enredo “Porto Kalunga” permitirá, Pablo adiantou: “É um tema riquíssimo. Angola e os artistas que para lá viajaram voltaram cheios de inspiração. Fazer um samba ruim com um leque de oportunidades como este seria difícil. Podem esperar uma bateria ousada, com uma mistura de ritmos africanos e nossos, sempre com a pitada de ousadia do Mestre Pablo. A ‘Ritmo Feroz’ virá cada vez mais forte”.
Ele também mencionou a colaboração artística para sua apresentação: “Mestre Pablo sempre prepara novidades. Já conversei com os carnavalescos para pensarmos juntos na minha vestimenta. Deixo um abraço forte para meu maquiador e amigo Jorge Abreu, responsável pelas minhas caracterizações, que também participará desta reunião. Juntando nossas ideias, é impossível não dar certo”, garantiu.
O casal e a missão da nota máxima
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rodrigo França e Joyce Santos, celebrou a temática inédita na história recente da agremiação.
“Fiquei muito surpresa, pois a Porto da Pedra não costuma trazer enredos afro. Mas é uma inovação: carnavalescos novos, sentimentos e almas novas. Acredito que o trabalho será muito bem feito e vamos surpreender na Avenida mais um ano. Não esperem pouco da Porto da Pedra, vamos mostrar nosso valor”, declarou a porta-bandeira Joyce Santos.
Ela prosseguiu sobre o clima na escola: “O ciclo de 2027 começou com o pé direito: uma feijoada, três coirmãs, anúncio do enredo e o projeto da escola dançando com muita emoção. Acredito que a Porto da Pedra virá inovando, será um ano emocionante e de várias novidades. Mesmo já tendo estreado antes, sinto-me estreando novamente com um enredo diferente, e a escola mostrará como o Tigre ruge na Avenida”.
Rodrigo França compartilhou o mesmo sentimento de confiança: “É um enredo riquíssimo. Quando anunciaram, imaginei várias coisas, mas vou aguardar a sinopse para entender os detalhes. Não temos esse costume com temas afro, mas tenho certeza de que será muito bem desenvolvido. Mais um ano, a Porto da Pedra dará um show e, se Deus quiser, traremos a nota máxima para a escola”.
Ele finalizou destacando sua longa trajetória na agremiação: “Sou muito tranquilo quanto ao carnaval, estou na Porto da Pedra há 21 anos. Com certeza será um ano sereno. Vou tirar de letra, modéstia à parte, e a nota quarenta virá, se Deus quiser”, declarou.
A palavra do presidente: rumo à vitória
O presidente Fabrício Montibelo encerrou os depoimentos, reforçando o compromisso com o acesso ao Grupo Especial. “Este enredo foi escolhido após os carnavalescos nos apresentarem três propostas. Discutimos as opções, e esta foi a que mais nos agradou. O enredo é forte, muito forte, e espero que venha um samba excelente, porque vamos para a avenida este ano para disputar o título”, afirmou o mandatário.
Montibelo foi direto em relação às metas da agremiação: “Este ano a Porto da Pedra vem para brigar. Aquele sétimo lugar anterior não foi satisfatório para nós. A Porto da Pedra não é lugar de sétimo lugar; sempre estivemos nas primeiras posições, e este ano viremos para disputar. Uma daquelas vagas no Grupo Especial será nossa”.
Sobre a disputa dos sambas, o presidente informou: “No dia 25 de maio, teremos uma reunião com nossos compositores na quadra. Vamos apresentar os prazos e tirar todas as dúvidas para iniciarmos as eliminatórias do samba entre julho e agosto”.
A Unidos do Porto da Pedra já tem data marcada para a leitura oficial da sinopse: será no dia 8 de junho, na quadra da agremiação.
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