Comunidade Quilombola de Brumadinho Enfrenta Crise Hídrica Devido à Mineração

A comunidade quilombola de Sanhudo, localizada na região rural de Tejuco, em Brumadinho, Minas Gerais, enfrenta uma grave crise no abastecimento de água. A situação, que tem se agravado nos últimos anos, é atribuída ao avanço da atividade mineradora nas proximidades, especialmente na mina de Córrego do Feijão, operada pela Vale, e outras mineradoras atuantes na região.

Impacto da Mineração nas Nascentes e Mananciais

Os moradores do Quilombo Família Sanhudo denunciaram que as atividades mineradoras têm comprometido as nascentes e mananciais de água que abastecem a comunidade. A falta de consulta prévia e a assinatura do 6º aditivo do Termo de Compromisso Água, sem o devido diálogo com a população quilombola, são apontados como fatores que contribuíram para a piora na distribuição de água, agora administrada pela Copasa.

Relatos da Comunidade e Denúncias

De acordo com o líder quilombola Evandro França de Paula, a comunidade tem sofrido com cortes constantes no fornecimento de água, que são controlados pela Vale. Ele afirma que os reservatórios de água, antes utilizados pela comunidade, estão sendo monitorados pela empresa e que um dos principais reservatórios foi contaminado. "A comunidade está ficando sem água. A gente não chora porque as lágrimas já secaram", desabafou.

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Preocupação com o Futuro da Comunidade

Para Marco Antônio Moreira Cardoso, diretor da Associação Quilombola da Comunidade de Sanhudo, o avanço desenfreado da mineração é uma ameaça direta aos povos e comunidades tradicionais. Ele destaca que as atividades mineradoras têm causado a contaminação das nascentes e a redução da vazão de água, o que coloca em risco a sobrevivência da comunidade. "Sabemos conservar a serra, os rios e as matas, mas a mineração prejudica o abastecimento de água", afirmou.

Ações e Repercussões Legais

A situação em Brumadinho chamou a atenção de autoridades, como o procurador da República Edmundo Antônio Dias Netto Júnior, que visitou a comunidade em 2019 e constatou os graves impactos ambientais e as interrupções no fornecimento de água. Recentemente, a Justiça Federal concedeu uma tutela de urgência em uma ação civil pública ajuizada pelo Instituto Guaicuy, determinando a revisão dos atos administrativos relacionados ao 6º aditivo do Termo de Compromisso Água.