A Unidos da Viradouro, campeã do Carnaval de 2026, mergulha nas origens dos contadores de histórias com seu enredo "Griô" para 2027. Em uma abordagem metalinguística, a escola busca dar voz a quem narra a trajetória de outros, explorando as raízes culturais dos griôs. O carnavalesco Tarcísio Zanon e o enredista João Gustavo Melo revelaram ao CARNAVALESCO a inspiração no mito de Kwaku Ananse, figura central na fundação dessa tradição.

O enredista detalha que o mito de Kwaku Ananse é fundamental para a narrativa do enredo. Ele descreve Ananse como uma divindade híbrida, parte aranha e parte humana, que buscou as histórias junto a Nyame, o deus supremo. Após superar desafios impostos por Nyame, Ananse recebeu e disseminou as narrativas por todo o mundo. Para a cultura ashanti, ele é reverenciado como o primeiro contador de histórias.

João Gustavo Melo expressou sua satisfação em encontrar um tema tão intrínseco à própria escola. Ele enfatizou a relevância de valorizar o Carnaval e os poetas que, com sua arte, perpetuam a rica tradição das escolas de samba.

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O enredista revelou que a proximidade do tema com a escola era evidente. Ele destacou o fascínio em descobrir a verdadeira origem dos griôs, um termo comum no Carnaval, mas cuja raiz no Mali, em dinastias e famílias, era pouco explorada. "Não se torna griô, você nasce griô", reiterou Melo.

A partir dessa premissa, foi traçado um paralelo entre os griôs e o próprio Carnaval. Assim como os Djelli, clãs de contadores de histórias, as escolas de samba representam grandes irmandades. Elas abrigam poetas e baluartes, funcionando como uma grande família de narradores.

Essa analogia se estende não apenas à Viradouro, mas a todas as agremiações que acolhem seus poetas, baluartes e comunidades. A própria comunidade, em sua essência, também é griô. Segundo João Gustavo, essa fusão de elementos culmina na formação do "grande griôzão que é o carnaval".

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A colaboração entre enredista e carnavalesco é crucial no processo criativo de uma escola de samba, sendo o ponto de partida para a materialização das ideias e o planejamento do desfile. Ao abordar sua parceria com Tarcísio Zanon, João Gustavo Melo detalhou a fase inicial de elaboração do enredo. Ele também revelou os três pilares fundamentais que estruturam a narrativa da Viradouro para o próximo Carnaval.

"Nosso ponto de partida foi a criação do roteiro do desfile", explicou Melo. Ele adiantou que o enredo será bastante diverso, pois se trata do próprio griô narrando sua história. O foco principal recai sobre o panorama da África Ocidental e suas civilizações, delimitando a origem específica dos griôs.

A narrativa se desenrola como se um griô contasse sua própria trajetória. A abertura do desfile, de forma simbólica, pedirá licença a Exu, que personifica a oralidade e a comunicação. Em seguida, fará reverência a Nanã, representando a memória do mundo, e a Iroko, que simboliza a eternidade e o tempo.

O enredo da Viradouro se sustentará nesses três pilares, marcando o início da contação de histórias. "Vamos contar a história de quem conta histórias", resumiu o enredista, reforçando a abordagem metalinguística, já utilizada pela escola no ano anterior com Ciça.

Leia a sinopse completa do enredo da Viradouro para 2027.

FONTE/CRÉDITOS: Colaboração Carnavalesco