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Remanescentes de quilombos estiveram reunidos nesta quarta-feira (09/11) em Montenegro, no Centro de Treinamento de Agricultores (Cetam), para apresentação da pesquisa "Comunidades Remanescentes dos Quilombos Certificadas do Rio Grande do Sul: diagnóstico social, econômico e produtivo". Este foi o primeiro evento de apresentação dos resultados e contemplou as comunidades localizadas nas regiões de Porto Alegre, Caxias do Sul e Lajeado. A pesquisa foi coordenada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e executada pela Emater/RS-Ascar em 32 comunidades nestas três regiões, sendo 22 localizadas no meio rural e outras dez em área urbana.
A coordenadora da pesquisa e integrante do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Seapdr, Denise Reif Kroeff, informou que nestas três regiões foram ouvidas 3.148 famílias e que 69% das comunidades estão há mais de cem anos nas terras onde vivem. Dentre as principais necessidades apontadas por elas estão a rede de distribuição de água e a coleta pública de lixo.
Sobre a atividade econômica, em 58% das comunidades remanescentes de quilombo (urbanas e rurais), há famílias que comercializam sua produção agropecuária. Os canais de comercialização desta produção são: conhecidos e vizinhos (37%); atravessador (21%) e feira (16%). E entre os principais produtos vegetais estão as hortaliças (75%), frutas (69%) mandioca (66%), batata doce (62%), milho (56%) e feijão (56%). Na área animal, são ovos (72%), suínos (66%), aves de corte (62%), gado de leite (44%), gado de corte (41%) e apicultura (31%)
No quesito políticas afirmativas, 28% das comunidades têm alunos que utilizaram as cotas quilombolas, 23% das comunidades têm alunos que utilizaram as cotas raciais e 19% das comunidades têm alunos com bolsa permanência.
A partir do diagnóstico, os quilombolas se reuniram na parte da tarde em grupos para discutir as suas vivências, fortalezas e dificuldades para então compilarem suas principais demandas para o próximo ano.
Prestigiaram o encontro o presidente da Emater/RS, Alex Corrêa da Silva, e o diretor técnico, Alencar Rugeri, o diretor do Departamento de Desenvolvimento Agrário, Pesqueiro, Aquícola, Indígenas e Quilombolas (DDAPA) da Seapdr, Maurício Neuhaus, as coordenadoras estadual e regional de Assistência Técnica, Extensão Rural e Social da Emater/RS-Ascar, Regina Miranda e Magda Pereira, o representante do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene/RS) Iosvaldyr Bittencourt Júnior e a pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), Patrícia Grossi.
A pesquisa
A coleta de dados foi feita por extensionistas da Emater/RS-Ascar por meio de questionário nos meses de março e abril deste ano. Em todo o estado, foram entrevistadas 774 pessoas, de 130 comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares, localizadas em 67 municípios gaúchos. No questionário havia demanda de informações sobre diversas áreas, como educação, saúde, saneamento básico, estradas, acesso à internet e à telefonia celular, patrimônio material e imaterial, produção agropecuária, comercialização dos produtos e outros.
Segundo Denise Reif Kroeff, o objeto do trabalho é elaborar o diagnóstico social, econômico e produtivo das comunidades, bem como criar uma base de dados sistematizada de cada uma delas, subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas a este público e identificar bens culturais das comunidades com vistas à sua valorização e, eventualmente, instrução de processos de tombamento IPHAE e IPHAN.
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