Desde o início de outubro, o território da Pequena África, no Centro do Rio de Janeiro, tem sido palco de uma jornada de aprendizado, trocas e fortalecimento coletivo. O Feira Preta Cria – Viva Pequena África reuniu as 11 organizações selecionadas no edital 1 em um ciclo formativo dedicado a impulsionar a gestão, a sustentabilidade e o impacto social de iniciativas que preservam a memória e a cultura afro-brasileira no território.
Com 16 encontros presenciais e on-line, o programa abordou temas como gestão, comunicação, captação de recursos e governança, por meio da metodologia Feira Preta Cria, desenvolvida especialmente para apoiar o crescimento de organizações negras e periféricas. O processo formativo faz parte das ações estruturantes do Viva Pequena África, iniciativa que vai investir até R$ 5 milhões no fortalecimento de instituições culturais negras do território, reconhecido como símbolo de resistência, ancestralidade e potência criativa.
Adriana Barbosa, diretora do Viva Pequena África e diretora-executiva do Instituto Feira Preta, destacou o que diferencia essa edição de outras pelo país."O programa Feira Preta Cria é um programa de troca de saberes, de aprendizado, seja para empreendedores ou organizações sociais, como é o caso da iniciativa Viva Pequena África. Neste território, o nosso objetivo é fortalecer de forma institucional as organizações e apoiar o processo de governança interna".
A formação integra o conjunto de ações da Iniciativa Valongo, lançada em 2023, que busca requalificar o Sítio Arqueológico Cais do Valongo, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Mundial, e fortalecer o Distrito Cultural da Pequena África, ampliando a sustentabilidade e a visibilidade de instituições locais.
O Viva Pequena África é uma coalizão inédita formada por três organizações negras: o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a Feira Preta e a Diáspora.Black, com patrocínio do BNDES, Open Society Foundations, Ford Foundation, Instituto Ibirapitanga e Fundação Itaú.
O projeto reafirma o compromisso de preservar e fortalecer a herança afro-brasileira, conectando tradição, inovação e desenvolvimento local. Mais do que um programa, o Viva Pequena África é uma construção coletiva que transforma a memória em futuro.
“Com as ações sistemáticas que a Iniciativa Pequena África aplica sobre esse território e reconhecendo o teor e valor dessas ações para o impacto positivo nessa área, o que vemos é um ecossistema cultural que se equilibra e se amplifica a cada dia. Não é raro perceber a quantidade de ações que complementam as ações de nossa iniciativa, assim como fica nítido a autoestima das pessoas dessa região assim com o envolvimento cada vez maior dos fazedores de cultura na formação e qualificação de uma cadeia produtiva forte e pungente que está sendo estabelecida. A Pequena África só será pequena no nome”, explica o diretor executivo da iniciativa Viva Pequena África, Gilberto Alves.