ONG CRIOLA Mobiliza Ativistas Em Brasília Para Marcha Que Exige Reparação Contra Racismo Patriarcal
A Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver chega à capital federal nesta terça-feira, 25 de novembro, reafirmando a força do movimento como resposta estrutural às profundas desigualdades. A ONG CRIOLA, organização de mulheres negras que atua há 33 anos, terá uma representação significativa no encontro, com 48 ativistas apoiadas que se juntarão a coletivos de todas as regiões do Brasil. A concentração do ato está marcada para iniciar às 9h no Museu Nacional da República, em Brasília.
A CRIOLA reforça a necessidade de aumentar a participação e a escuta das mulheres negras — cis e trans — nos locais de decisão. Essa presença é considerada fundamental para a eficácia das políticas públicas e para a erradicação do que a organização define como racismo patriarcal cisheteronormativo. Apesar de constituírem a maioria da população no país, as mulheres negras persistem em um estado de invisibilidade, fator que justifica a continuidade da mobilização.
Bem Viver: A Filosofia Ancestral Como Projeto De Sociedade
Nascida em 2015, com a CRIOLA como uma de suas organizações mobilizadoras, a Marcha reafirma seu compromisso na luta contra todas as formas de violência que impactam a vida das mulheres negras, quilombolas, indígenas, periféricas, lésbicas, bissexuais e trans. O ato é a expressão de uma resistência coletiva e histórica que cobra reparação pelos séculos de exclusão e escravidão.
Um dos pilares centrais do movimento é a proposta de um novo projeto de sociedade fundamentado no Bem Viver. Esta filosofia de raiz ancestral e africana valoriza a justiça social, a coletividade, a relação harmoniosa com a natureza e o respeito absoluto à diversidade. O conceito se contrapõe à lógica de exclusão e aponta um caminho para a existência digna e plena.
Visibilidade E Políticas Públicas
A participação na Marcha é vista como uma condição essencial para a efetividade das políticas públicas. O movimento visa garantir que as demandas e as análises das mulheres negras cheguem aos centros de decisão para que as ações do Estado reflitam a realidade de vida da maioria da população. A luta é pautada na necessidade de que a sociedade brasileira reconheça e enfrente o racismo estrutural em todas as suas manifestações, inclusive nas normas de gênero e sexualidade, para que o país possa, de fato, avançar na construção da igualdade.
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