Áfricas - A NOSSA agência de noticia preta

Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Religião

São Paulo sediou o XV Seminário Tumba Junsara Redescobrindo sua história: Njila é o caminho

Claudia Alexandre
Por Claudia Alexandre
/ 166 acessos
São Paulo sediou o XV Seminário Tumba Junsara Redescobrindo sua história:  Njila é o caminho
Divulgação/ Leon Santos
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

BAIXE agora o APP Áfricas  [ CLIQUE  AQUI ]
Siga nosso NOVO CANAL no WhatsApp 
Siga-nos no Instagram

O centenário terreiro de candomblé Tumba Junsara, fundado no ano de 1919, na cidade de Salvador, na Bahia, por Manuel Ciríaco de Jesus (Tateto Neludiamungongo) realizou a décima quinta edição do evento que tem como objetivo reconhecer sua família extensa, representada por centenas de outros terreiros espalhados pelo Brasil. Liderado pela mametu Dya Nkise, Nengwa Mesoeji (Iraildes Maria da Cunha) realizou no dia 22 de junho, no auditório do Museu Afro Brasil (Parque do Ibirapuera), através da ABENTUMBA (Associação Beneficente de Manutenção e Defesa do Terreiro Tumba Junsara) o XV Seminário Tumba Junsara Redescobrindo sua história: Injila é o caminho. Foi a primeira vez que o evento foi realizado na cidade de São Paulo, a última edição ocorreu no Rio de Janeiro.

Dra. Claudia Alexandre falou sobre Sofia Mavambu e o matriarcado de terreiro

 

                 O evento contou com convidados especiais e certificação dos terreiros que reivindicaram filiação Tumba Junsara de São Paulo.  A abertura contou com as saudações do superintendente do IPHAN, Danilo de Barros Nunes e da representante do Núcleo Educativo do Museu Afro Brasil, Simélia de Araujo.   A mesa temática foi anunciada pelo Tata Nzambia Bandanguame (Nzo Maza Kisimbi Junsara), representante da comissão organizadora do evento, com:  Tata Nzingue Lumbondo (Diretor da Abentumba), que abordou o tema “‘ixi’ , uma reflexão sobre a divisão fundiária para as religiões de matrizes africanas”; Dra. Claudia Alexandre (Ebomi de Oxum, sacerdotisa do Templo da Liberdade Tupinambá) pesquisadora de cultura e religiosidades afro-brasileiras, com “Sofia Mavambo, o matriarcado e mpambu njila” e sobre a seu livro Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô...; Dra. Regina Barros Goulart (Kota Mulanji), “Projeto 1279 – Makota Valdina” e “Ancestralidade e o Fonsampotma”; Dr. Anivaldo dos Anjos (Idafro e JusRacial), “Legislação e proteção em casos de racismo religioso” e   Tata José Ricardo da Cruz Vaz,do Abassa Dianganga Njila Mavile, que falou sobre Encruzilhadas (Njila).

Publicidade

Leia Também:

Cientista da Religião, Claudia Alexandre, comentou a importância do evento para a tradição congo-angola

Por muito tempo a contribuição e riqueza dos povos centro-africanos, do chamado grupo bantu, foi subestimado pelos estudos afro-brasileiros, principalmente suas práticas tradicionais, de onde originaram a partir do século XVI-XVII batuques, zungus, calundus, cabulas, capoeiras, sambas, jongos e, em especial, os candomblés Angola-Congo, no nordeste, com registros no final sec XVIII e os cultos das macumbas e omolocô, cujos traços negro-africanos se mantiveram na constituição da Umbanda no sudeste no sec. XIX, se manifestando em sua complexidade por varias partes do Brasil, apesar das violências simbólicas e do racismo sistêmico. 
.
Bantu não é etnia, é um grupo linguístico forjado pela colonização europeia. Por isso a deturpação nas narrativas que desconhecem a diversidade étnica: saberes, falares, costumes e religiosidade. 

No processo escravista os ciclos econômicos são registros da chegada do grupo ioruba-oyó (sudaneses), somente a partir do século XVIII, com outra riquezas de diversas culturas, costumes, práticas rituais e relações com o sistema de dominação, entre eles a formação dos candomblés do complexo yorubá-nagô.

São riquezas e ressignificações de um legado civilizatorio que é resultado de lutas, resistências, dores, mortes, violências e negociações, que emergiram da Diáspora negra. Da elaboração, tecnologia, inteligência e energia vital de nossos ancestrais africanos, aqui no BRASIL, por isso matriz africana. Sem esquecer dos entrelaçamentos de saberes com os povos indígenas, os negros, donos da terra. 
.
Foi uma honra falar de Injila e ouvir a sabedoria dos mais velhos e a potência do XVI Seminário Tumba Junssara Redescobrindo sua História Terreiro Tumba Junsara Nguzu!

 

FONTE/CRÉDITOS: Divulgação
Comentários:
Claudia Alexandre

Publicado por:

Claudia Alexandre

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais