Em passagem pelo Brasil para a divulgação de seu 8º. Livro, a Contagem dos Sonhos (Companhia das Letras), Chimamanda surgiu em um lindo macacação branco no palco do Teatro Renault, na noite de segunda-feira, 16, e foi aplaudida de pé por mais de 800 pessoas que lotaram o plateia para ouvi-la. O evento programado inicialmente para o Auditório do Mackenzie teve que ser transferido devido a alta procura, em meio ao aviso de “ingressos esgotados”.  Nem mesmo os 45 minutos de atraso para iniciar a palestra tirou o brilho do encontro promovido pelo Fronteiras do Pensamento. A jornalista Mona Dorf, bem que tentou explicar a razão do atraso para o público impaciente, mas não ficou bem entendido quais os “probleminhas” que demoraram a ser resolvidos.

 

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Chimanda envolveu o público, que assistiu com atenção a leitura da fala da escritora, autora de obras como “Hibisco Roxo”, “Meio Sol Amarelo” e “Americanah”, vencedora do National Book Critics Cirle Award. A escritora relatou como tem vivido o luto da perda do pai James Nwoye e da mãe Grace Ifeoma, no mesmo ano, fatos que ela relata no livro Notas sobre o luto (2021). Lembrou a infância ao lado de mais cinco irmãos, entre eles Jomo, que acompanhou a irmã nessa viagem ao Brasil, inclusive a socorreu quando o tablet falhou e teve que ser trocado pelo celular, onde estava a cópia do discurso. Para distrair o público, Chimamanda cantou em igbo, a língua materna do Estado Enugu (sudeste da Nigéria).  Ela lembrou dos três anos que a família viveu como refugiada da guerra e da generosidade de serem acolhidos por um homem que já tinha a casa tomada pelos parentes. Falou de humanidade, lembrando seu celebre discurso sobre “o perigo de uma história única” ela afirmou que é “fácil desumanizar uma pessoa cuja a história você não conheça e que a história obriga você a ouvir o outro. Temos que permitir que cada um conte a sua própria história”.

Por que a literatura importa? Este foi o tema central da apresentação, que misturou reflexões e declaração de amor à literatura. “Até nos lugares mais escuros, existe uma pequena fonte de luz e a literatura, quase sempre é essa luz”, disse ela. Ao final, no momento de responder as perguntas da plateia, enviadas para a medidora através de um QRcode, Chimamanda garantiu que não conseguiria pensar a vida sem a literatura.  Ela afirmou que tem a certeza de que haveria uma grande mudança nas relações entre as pessoas se os homens lessem mais autoras mulheres.

A Contagem dos Sonhos – Chimamanda Ngozi Adchie ( Cia das Letras, 2025).  Romance onde a autora aborda a história de quatro mulheres e seus amores, saudades e desejos.  Uma narrativa brilhante que discute a própria natureza do amor. A verdadeira felicidade é de fato alcançável? Ou é apenas um estado passageiro? E quão honestos devemos ser com nós mesmos para amar e ser amados? Uma reflexão incisiva sobre as escolhas que fazemos e aquelas feitas por nós, sobre filhas e mães, sobre o nosso mundo interconectdo.

 

FONTE/CRÉDITOS: por Claudia Alexandre