Referência feminina da dança e única dançarina que está em atividade no Samba de Coco Raízes de Arcoverde desde a primeira formação, a artista pernambucana Dayane Calixto (ou Day) completa 39 anos de vida, nesta quarta-feira (05 de novembro). Maria Idayane Bezerra Montenegro é natural de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, e está no Coco Raízes desde criança, entrando aos seis anos de idade, em 1992. Ela também é uma liderança da cultura popular e do território, além de musicista e voz/coro. Sua arte e o grupo são autorais, trazendo audiovisual, dança, música, poesia e o trupé, influência da própria terra.

O trupé é o ritmo dos movimentos com os pés nos tamancos de madeira — identidade do samba de coco — e o balanço de todo o corpo. Os passos tradicionais são “parcela” e “trupé cortado”. Day, por exemplo, assina a criação de “pergunta e resposta”; “cavalo manco” e “gonguê”. Ou seja, ela é mais do que dançarina, é autora de maneira independente.

Day sustenta toda a pisada, sendo inspiração para diversas artistas, musicistas, mulheres e pessoas da arte, da cultura e da educação de diferentes gerações. Ela tem histórias pelo Brasil afora, com atuações no Coco Raízes por Moçambique, na África; e Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Itália e Noruega, na Europa.

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Com influências das culturas indígena e negra, Day também é arte-educadora, produtora cultural e facilitadora de oficinas de trupé, rodas de conversa, debates, palestras e muito mais. Ela compartilha o samba de coco de raiz a partir do conhecimento e da ancestralidade, dialogando com as novas e futuras gerações. Sua vivência é sobre justamente o repasse do saber, da memória e do respeito às mestras e mestres, por meio de movimentos artístico-culturais com continuidade. Dayane e o Samba de Coco Raízes de Arcoverde caminham simultaneamente.

Mulher do interior do estado, Day Calixto é protagonista e consegue empoderar, fortalecer e valorizar a presença feminina do Sertão, com Damares, Ilma, chamada carinhosamente de Pecon, e Joana D’arc, a mulher mais jovem do grupo. Ela também cria espaços de coletividade e de expressão da identidade, onde as habilidades são desenvolvidas em conjunto com temáticas racial, social, de gênero, política, cultural e educativa.

Filha do mestre Damião Calixto, Patrimônio Vivo de Arcoverde e Cidadão Arcoverdense, Day tem 33 sobrinhos. Ela também toca gonguê no Maracatu Batuque do Sertão, de Arcoverde.

Filme

Ela tem uma obra audiovisual de curta-metragem lançada em abril de 2025: “A Caravana Não Morreu por Day Calixto” (direção: Rui Mendonça). ”Inspirada pelas memórias do seu tio Lula Calixto, Day Calixto une passado e futuro, com realidade e ficção. Ela embarca numa jornada mágica com a ajuda do tio Assis Calixto e do pai, Damião Calixto, enquanto crianças da sua comunidade se juntam à celebração de cultura e identidade”, diz a sinopse.

O filme acontece em Arcoverde. A obra cinematográfica estreou na cidade de Bonito, na programação do Cine Educa Bonito, uma mostra de cinema e educação do Agreste central pernambucano, e entrou na programação do Festival Lula Calixto 2025 (15ª edição), em Arcoverde.