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Quarta-feira, 21 de Janeiro 2026

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Escola de Terreiro: lançamento de livro sobre educação quilombola no Mundo Novo, em Buíque

O encontro neste domingo (30 de novembro) também marca a inauguração do espaço Território Vivo, que é da própria comunidade quilombola do Agreste de Pernambuco @escoladeterreiro @mundonovoquilombo

Escola de Terreiro: lançamento de livro sobre educação quilombola no Mundo Novo, em Buíque
Foto: Lula Moreira
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O Quilombo Mundo Novo, no município de Buíque (Agreste de Pernambuco), recebe o lançamento do livro “Escola de Terreiro: Uma Experiência de Educação Quilombola no Mundo Novo”, neste domingo (30 de novembro), a partir das 14h. O encontro na Serra da Torrada também marca a inauguração do espaço “Território Vivo”, que é da própria comunidade quilombola. Além do mais, tem apresentações da cultura popular com Samba de Coco Resgate da Alegria, Amanda Lopes, Afoxé Ya Omi Ogunté, George Silva, Coco Fulô do Barro, Lula Moreira, mestre Assis Calixto, Julia Leandro, e Juninho Santos. A programação é gratuita e ao ar livre, com atividades artístico-culturais autorais. 

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Também com a presença de lideranças comunitárias e mestras e mestres dos saberes tradicionais, a celebração no Quilombo Mundo Novo é uma reafirmação da educação quilombola, valorizando o território, a memória, a ancestralidade, a arte e o pertencimento local. Uma das suas lideranças é Irailda Leandro, com graduação em Letras e mestrado em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela é quilombola do Mundo Novo e professora aposentada.

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“Alcançamos o objetivo com a elaboração de uma proposta pedagógica quilombola e antirracista, enraizada na história, na oralidade e nos modos de vida do Quilombo Mundo Novo. Ao reconhecer os saberes da comunidade como teoria do conhecimento, destacamos a educação quilombola e descobrimos novos caminhos teóricos e metodológicos para a formação de educadoras e educadores. Geramos reflexões para a educação quilombola, interesse de pesquisadoras e pesquisadores, debate sobre práticas pedagógicas contextualizadas e caminhos possíveis para enfrentar o modelo hegemônico de ensino”, declara Irailda Leandro,  

Entre as apresentações do próprio território (Serra da Torrada) estão Julia Lorena, sanfoneira; Juninho Santos, forrozeiro; Samba de Coco Resgate da Alegria. Todas as outras são de Arcoverde: Seu Assis Calixto, Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2019 e Patrimônio Vivo de Arcoverde, além de mestre, cantor, compositor e musicista do Samba de Coco Raízes de Arcoverde; Amanda Lopes, a primeira mulher a tocar surdo no Samba de Coco das Irmãs Lopes, de Arcoverde; Afoxé Ya Omi Ogunté; Coco Fulô do Barro; poeta e cantor George Silva; cantor e compositor Lula Moreira. 

Vale reforçar que o município de Buíque/PE fica entre o Agreste Meridional e o Sertão do Moxotó, onde está Arcoverde, cidade vizinha, e que o Escola de Terreiro nasce justamente da força do território e da sabedoria ancestral que sempre orientaram o povo do Mundo Novo. São as vozes e os passos das mais velhas e dos mais velhos que seguem sendo tronco e raiz.

A realização é coletiva, com a participação efetiva da comunidade, estudantes, professoras, professores, mediadores e mediadoras e a assinatura da Associação dos Quilombolas e Descendentes de Buíque - Pernambuco. Coletivamente, foram criadas ilustrações, cartografias afetivas e registros criativos, a partir das atividades formativas “Despertar e a Cosmopercepção”, com Zzui Ferreira, e “Capas Ancestrais: Um dia de pintura na Escola de Terreiro”, por Alba Cristina, ambas arte-educadoras e realizadoras de oficinas de gráfica artesanal cartonera para produção manual das capas e contracapas. O livro e a cartilha trazem relatos, reflexões, imagens, mapas afetivos e memórias pedagógicas do Escola de Terreiro, composto por formação de educadores e educadoras, escutas entre diferentes gerações, rodas de memória e vivências territoriais. 

A criação do “Escola de Terreiro: Uma Experiência de Educação Quilombola no Mundo Novo” dialoga diretamente com as identidades das culturas negra e indígena e contribui para as políticas educacionais de combate ao racismo estrutural.  O Escola de Terreiro reafirma o compromisso com o território, dando prioridade para a contratação de pessoas do próprio quilombo e a compra de alimentos e produtos locais. Com isso, é garantido que os recursos circulem dentro da comunidade, possibilitando o preparo de refeições ancestrais. 

“Surgimos como uma ação de defesa territorial, resistência cultural e fortalecimento da educação quilombola, preservando os saberes tradicionais e a cultura popular de raiz, além da memória coletiva do território. Produzimos um material educativo que registra e sistematiza as práticas do Escola de Terreiro, compartilhando conhecimentos pedagógicos quilombolas para outras comunidades e instituições. Fortalecemos também a educação antirracista, decolonial e contracolonial, engajando jovens, adultos, crianças e pessoas idosas em processos formativos que reafirmam o modo quilombola de viver, saber e ensinar”, acrescenta Irailda. 

Reconhecida como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares desde 2018, a comunidade Mundo Novo reúne mais de 70 núcleos familiares que vivem da agricultura familiar agroecológica. Este território é um espaço de resistência, conhecimento e autonomia, onde os quintais produtivos, as tradições culturais e a memória dos mais velhos orientam as práticas educativas e de vida.

Inspiradas nos conceitos da escrevivência da escritora Conceição Evaristo e da transfluência, do líder quilombola e escritor Nego Bispo, as atividades formativas do Escola de Terreiro ocorreram ao longo de oito encontros, sendo presenciais e remotos, para 30 pessoas. Ao todo, foram 96 horas-aula. Na ocasião, mediadoras, mediadores, bolsistas e lideranças locais construíram coletivamente uma linguagem de continuidade com diálogo, troca e fortalecimento dos saberes do território. Paralelamente, aconteceram vivências com estudantes da educação infantil e dos anos iniciais, totalizando mais 48 horas-aula. 

Esta produção é resultado da primeira chamada do Fundo Casa Socioambiental “Educação para o Bem Viver: apoio às comunidades quilombolas por uma educação antirracista”, com a parceria da Imaginable Futures, Alliance for the Amazon and Beyond e Mackenzie Scott, além do apoio da Prefeitura Municipal de Buíque por meio da Gerência Regional de Educação de Arcoverde.

Com surgimento em 2023, a partir da escuta das pessoas mais velhas tanto de idade como de vivência do Quilombo Mundo Novo, a iniciativa é para o fortalecimento da identidade negra, igualdade racial, formação de lideranças, gestores, gestoras, professores, professoras e estudantes quilombolas. A facilitação é realizada por mediadoras e mediadores que atuam em sua maioria como professoras e professores da educação básica. Estudantes da Escola Quilombola Ana Rosa de Almeida, jovens do território e lideranças comunitárias estão envolvidos com a formação e sistematização da proposta de educação quilombola e antirracista. 

No mês de abril do mesmo ano, houve a abertura com um seminário no terreiro da casa Josefa Antunes, popularmente conhecida como Zefa, também liderança do Samba de Coco Resgate da Alegria. Nesse espaço simbólico para a comunidade, Romero Almeida, quilombola de Trigueiros (no município de Vicência, Zona da Mata Norte de Pernambuco) e gestor da Educação Escolar Quilombola do Estado de Pernambuco, realizou uma palestra, com a presença de estudantes das séries iniciais da Escola Municipal Quilombola Ana Rosa de Almeida; professores e professoras cursistas (quilombolas e não quilombolas); estudantes do ensino superior e parceiros do curso de Educação Quilombola; representantes da Secretaria de Educação e da Secretaria da Mulher de Buíque; lideranças locais; autoridades convidadas; mestres e mestras. 

“O Mundo Novo reafirma, assim, seu compromisso com a ancestralidade, a autonomia territorial e a construção de futuros enraizados em justiça e dignidade. Acreditamos que esta iniciativa é um caminho para quem chega, companhia para quem segue, memória para quem retorna e possibilidade de futuros passos nos terreiros de Mundo Novo”, destaca Zefa. 

“Escola de Terreiro: Uma Experiência de Educação Quilombola no Mundo Novo” tem incentivo público, com o financiamento do Fundo Baobá, por meio do edital “Educação e Identidades Negras: Políticas de Equidade Racial”.

“Para a comunidade quilombola do Mundo Novo, a parceria com uma instituição como o Fundo Baobá é motivo de honra e de grande responsabilidade. O compromisso é com uma educação quilombola que parte do território, dos mestres e mestras do notório saber, das memórias e das práticas ancestrais que sustentam a vida no quilombo. Cada momento é uma retomada do que nos pertence por história e por direito. Acreditamos que estamos construindo uma educação que não se separa da vida, da memória, do cuidado e do respeito”, declara Zefa.   

A atuação de cinco jovens bolsistas quilombolas também contribuiu para as ações administrativas, pedagógicas e comunicacionais. A presença de Raquel Neposiano (apoio técnico à coordenação); 

Pâmela Antunes (coordenação geral); Patrícia Beserra (tesouraria); Valterson Antunes e Júlia Lorena (comunicação); e Thamyrys Nathalya (registros e atas, orientada por Santina Oliveira) é também uma força ancestral de renovação das novas gerações, fortalecendo vínculos e garantindo continuidade aos processos formativos. 

A equipe técnica é diversa e pernambucana em sua maioria: Irailda Leandro (coordenação geral e textos); Fausto Paiva (coordenação executiva); Aline Sou (coordenação técnica, textos e organizadora); Airla Xavier (coordenação editorial, textos e organizadora); Jaelson Gomes e Raquel Neposiano (produção geral e textos); Emília Teresa Beserra da Silva Barbosa e Leidiane Tenório (planejamentos de aula); Comunidade Quilombo Mundo Novo (coautoria e ilustração); Pâmela Antunes (produção local); Alba Cristina (capa); Zzui Ferreira (projeto gráfico, diagramação e formação); Alba Cristina (formação); Daniel Lima e Emoriô Comunicação (assessoria de imprensa); ZYP Gráfica (impressão); Ecossítio Catimbau (elaboração do projeto).


Ambiental

O Mundo Novo é um território marcado por conflitos fundiários históricos, cercado por fazendas e influências do agronegócio; ameaças atuais de instalação de usinas eólicas, o que provoca apreensões quanto à preservação ambiental e territorial; impactos diretos da crise climática, que rompe ciclos tradicionais de plantio e enfraquece práticas agrícolas baseadas nos sinais da natureza; fechamento de escolas rurais e nucleação escolar, política que retira as crianças do território e seus laços educativos comunitários.


Escola de Terreiro - Memórias Quilombolas no Mundo Novo (lançamento do livro e inauguração do espaço Território Vivo)

Data: 30 de novembro de 2025 (domingo)

Local: Quilombo Mundo Novo (município de Buíque - Agreste de Pernambuco)

Horário: 14h

Programação: Coco Resgate da Alegria, Amanda Lopes, Afoxé Ya Omi Ogunté, George Silva, Coco Fulô do Barro, Lula Moreira, mestre Assis Calixto, Julia Leandro, e Juninho Santos

Entrada: gratuita e ao ar livre


Ficha técnica


Coordenação geral

Irailda Leandro de Carvalho


Coordenação executiva

Fausto Paiva


Coordenação técnica

Aline Sou


Coordenação editorial

Airla Xavier


Textos

Airla Xavier

Aline Sou

Irailda Leandro de Carvalho

Jaelson Gomes de A. Pereira

Raquel Neposiano


Planejamentos de aula

Emília Teresa Beserra da Silva Barbosa

Leidiane Tenório Dias Gama


Organizadoras

Airla Xavier

Aline Sou


Coautoria e ilustração

Comunidade Quilombo Mundo Novo, Buíque - PE


Produção geral

Raquel Neposiano da Silva


Produção local

Pâmela Antunes Beserra Mariano 


Capa

Alba Cristina Tenório Chalegre


Projeto gráfico e diagramação

Zzui Ferreira


Assessoria de imprensa

Daniel Lima

Emoriô Comunicação


Impressão

ZYP Gráfica


Formações

Despertar e a Cosmopercepção, com Zzui Ferreira

Capas Ancestrais: Um dia de pintura na Escola de Terreiro, com Alba Cristina Tenório Chalegre


Elaboração do projeto

Ecossítio Catimbau


Realização

Associação dos Quilombolas e Descendentes de Buíque - Pernambuco

Comentários:
Daniel Lima

Publicado por:

Daniel Lima

Comunicador social & jornalista. De Caruaru/PE, criado no Recife. Atua com assessoria de imprensa artístico-cultural e atualmente é assessor de imprensa/mídias sociais do Coco Raízes de Arcoverde/PE.

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