O Grupo O Poste Soluções Luminosas, protagonista em Pernambuco no teatro negro, afroindígena, popular e ancestral, está sempre criando novas montagens a partir das pesquisas e aprofundamentos e por meio das vivências artístico-culturais, pautadas pela identidade racial, gênero, classe, ancestralidade, ciência e educação. A mais nova obra coletiva, de realização independente e classificação indicativa livre, é o espetáculo autoral “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade”, que significa “A nova força indígena preta da nossa terra (Nordeste)”. O título da peça teatral é composto pela junção de quatro línguas de povos originários: Yorubá (africana), Brobó/Karaxuanassu (indígena), Umbundo (africana) e Yaathê (indígena).  

As estreias já acontecem neste mês de maio. A 1ª apresentação ocorre gratuitamente no interior de Pernambuco, no município de Águas Belas/PE (Agreste), dia 16/05 (sábado), às 19h, na aldeia Fulni-ô (território indígena). Mais quatro sessões também estão programadas para uma curta temporada no centro do Recife/PE, todas no Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641, bairro da Boa Vista), nos dias 22/05 (sexta-feira) e 23/05 (sábado), e 29/05 (sexta-feira) e 30/05 (sábado), sempre às 19h. Os ingressos custam R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira), com venda antecipada na internet. Uma das apresentações na Capital pernambucana dispõe do recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva. 

A criação e o desenvolvimento de “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” surgem das consultorias e vivências com povos Fulni-ô (Águas Belas) e Marataro Kaeté (Igarassu/PE - Região Metropolitana do Recife), da assessoria dos idiomas em Yorubá, Brobó e Umbundo e dos estudos na sala de ensaio. O espetáculo reúne textos (dramaturgia), performances e corpo em retomada. O objetivo da sua realização é justamente a valorização e aproximação das pesquisas da linguagem teatral baseada nas línguas faladas pelos povos originários e sua oralidade para a cena. 

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Os quatro idiomas são ancestrais: Brobo/Karaxuanassu é do povo Xukuru, kaxwriêtã é do povo karaxuwanassu, que compõe o tronco linguístico do Xukuru (existente na Serra do Ororubá, no município de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco); Umbundo, a língua bantu mais falada em Angola (país do continente africano); Yaathê, idioma indígena falado exclusivamente pelo povo Fulni-ô, de Águas Belas/PE; e Yorubá fala-se principalmente na Nigéria (país de África) e na religião candomblé e pelos terreiros de matrizes africanas de Pernambuco, da tradição Nagô. As consultorias foram realizadas por Lepê Correia (Yorubá), Pajé Juruna (Brobó/ Karaxuanassu), Vanderlan Matos (Yathê) e Kuta Ndumbu (Umbundo) responsáveis pelo repasse e acesso à informação. 

“Diante de uma diversidade de fatos reais, aprendizagens a respeito do saber e do conhecimento de territórios indígenas, e realidades existentes, é chegada a hora de apresentar a peça de teatro inédita como resultado dessa imersão. É muito mais do que um espetáculo, é presença, rito e retorno, além de um chamado que atravessa o corpo. Em cena, o corpo como retomada, a oralidade como dramaturgia e as línguas originárias pulsando vivas, situando o ara, que tem o significado de corpo no idioma Yorubá, em sua totalidade”, declara a pernambucana Agrinez Melo. 

Agrinez, Naná Sodré e Samuel Santos — idealização, produções, pesquisas e gerenciamento do grupo e espaço O Poste — formam o elenco. Além de atuar, o trio de artistas assina a dramaturgia. Quem assume a direção é o pernambucano Samuel Santos, também responsável pela cenografia, com Agrinez à frente da criação do figurino, confeccionado pelas mãos de Francis Souza (PE). Já os adereços têm a produção de Célia Regina (PE). 

As palavras e as encenações são pensadas e elaboradas coletivamente entre os três artistas. Ao mesmo tempo, possibilita cada corpo e mente em movimento de existência levar para a cena memórias, a partir de histórias e vivências de pertencimento, e realidades do passado e presente, olhando para o futuro.  

“Já é o espetáculo mais desafiador do grupo O Poste. Sobretudo porque quatro línguas originárias são faladas como tradição oral, fortalecendo conceitos de identidade, saberes ancestrais e afro-brasileiros com rodas de conversa e convivência entre as narrativas”, afirma Agrinez. 

O projeto “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” tem incentivo público, com o financiamento do  Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE). Pela primeira vez em cartaz, o espetáculo é encenado cinco vezes em sua estreia na história do Grupo O Poste Soluções Luminosas. 

Por falar em acontecimento, a juventude pernambucana de artistas autorais — também profissionais da técnica e produção — conquista espaços representando o “Núcleo O Postinho”, com Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thalis Ítalo. Toda essa coletividade ocupa funções tanto artísticas como de operação nos espetáculos, giras de diálogo e nas diversas celebrações. 

Vale reforçar que o grupo e espaço de teatro “O Poste”, em atividade desde 2004 e com sede no Recife, é formado por artistas das culturas popular, preta e indígena. Com raízes na ancestralidade, comunidade afroindígena e terreiro de matriz africana, é referência da arte autoral periférica e urbana, além da resistência por movimentar o centro do Recife com atividades artístico-culturais. Em 2009, tornou-se de fato um grupo de produção artística, realizando pesquisas teatrais e ações formativas baseadas no resgate ancestral e na preservação da história. 

Oficina

A programação no interior do Estado de Pernambuco dialoga com a necessidade da formação pedagógica como contrapartida da arte social. A oficina “O Corpo Ancestral Dentro da Cena” é gratuita nas terras Fulni-ô para estudantes indígenas da aldeia, no dia 15/05 (sexta-feira), às 14h30.  

Essa atividade de treinamento corporal — facilitada por Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos — desdobra a pesquisa de mesmo nome, e do grupo O Poste. 

Espetáculo “Longussu Xenupre Dudu Yatílhade” (2026 - classificação indicativa: livre) - confira a agenda das apresentações (datas, locais, horários e entradas)

16/05 (sábado): município de Águas Belas/PE (Agreste), na aldeia Fulni-ô, às 19h - entrada gratuita e exclusiva para as pessoas do território indígena

22/05 (sexta-feira) e 23/05 (sábado): Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641, bairro da Boa Vista, centro do Recife/PE), às 19h, R$ 15 (inteira) e R$ 30 (inteira) - ingressos à venda antecipadamente na internet 

29/05 (sexta-feira) e 30/05 (sábado): Espaço O Poste, às 19h, R$ 15 (inteira) e R$ 30 (inteira) - ingressos à venda antecipadamente na internet 

Uma das apresentações no Recife dispõe do recurso de acessibilidade em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas com deficiência auditiva

Oficina “O Corpo Ancestral Dentro da Cena”

15/05 (sexta-feira): município de Águas Belas/PE, na aldeia Fulni-ô, às 14h30  - exclusiva/gratuita para as pessoas do território indígena

Facilitação: Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos 

Ficha técnica

Dramaturgia: Agrinez Melo, Naná Sodré, Samuel Santos

Direção e cenografia: Samuel Santos

Atuação: Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos

Consultoria em língua originária ancestral: Lepê Correia (Yorubá); Pajé Juruna (Brobó/ Karaxuanassu); Vanderlan Matos (Yathê) e Kuta Ndumbu (Umbundo)

Criação de figurinos: Agrinez Melo

Confecção de figurinos: Francis Souza

Adereços: Célia Regina

Cocar: Africool 

Confecção de acessórios para personagens: Larissa Lira, Caminho de Dentro (por Sthe Vieira) e Cecília Chá

Audiovisual e designer gráfico: Talles Ribeiro 

Operação da projeção: Thalis Ítalo 

Criação e operação de luz: Cecília Chá

Operação de microfones: Larissa Lira

Contrarregra: Sthe Vieira

Mídias sociais: Estúdio Dionísio

Realização: Grupo O Poste Soluções Luminosas

Incentivo público: financiamento do Funcultura (Fundo de Incentivo à Cultura de Pernambuco), por meio do Governo de Pernambuco, Fundarpe e Secretaria de Cultura (Secult-PE).