A Ocupação Espaço O Poste já ultrapassa mais de 15 atividades artístico-culturais ao longo de seis meses de realização. Em outubro, a programação reúne três apresentações autorais da cultura negra, sendo uma de cada estado — Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro —, começando neste fim de semana. Na sexta-feira (24/10), às 19h, tem promoção de dois ingressos por R$ 10 para o espetáculo cênico-biográfico “Barro Mulher - Um Mergulho na Lama da Criação”, com a atriz baiana Fabíola Nansurê. No sábado (25), às 16h, a entrada gratuita para a “Contação de História – Luanda Ruanda: Histórias Africanas”, assinada por Stephany Metódio, atriz e contadora de histórias natural de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Ambas as peças teatrais têm classificação indicativa livre. 

Além de “Barro Mulher” e “Luanda Ruanda”, o Espaço O Poste recebe o espetáculo teatral solo “Negaça”, com o bailarino Urubatan Miranda. Esse encontro ocorre no dia 31 de outubro, uma sexta-feira, com dois ingressos custando R$ 10 e classificação livre. Vale lembrar que todas as apresentações acontecem no próprio Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641 – bairro da Boa Vista – centro do Recife), 

Sobre o espetáculo “Barro Mulher”, a ideia surgiu da pesquisa da atriz e coreógrafa Fabíola Nansurê em relação à individuação da mulher negra, que é a arte de tornar-se quem você é. A obra tem texto e direção da própria artista e inspiração na concepção poética do TPC (Teatro Preto de Candomblé), criada pela baiana Onisajé, diretora teatral, preparadora de elenco, dramaturga e doutora em Artes Cênicas. A encenação faz um diálogo entre corpo, voz e música, com celebração e pertencimento.  

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“‘Barro Mulher’, sob a consultoria da encenadora Onisajé, nasce do encontro entre a arte e a ancestralidade feminina, trazendo à cena uma narrativa afirmativa inspirada na poética da Yabá Nanã, senhora do tempo, da vida, da morte e da sabedoria. O espetáculo apresenta a trajetória de uma mulher negra que se refaz, renasce e se fortalece a partir da memória e da relação com a sua Yalorixá (Mãe de Santo) em seu terreiro de Candomblé. A apresentação é um chamado ao encontro, à escuta e ao reconhecimento ancestral feminino. A figura de Nanã se torna guia, onde cada palavra, gesto e som revelam camadas de uma história marcada pelo feminino, pelo sagrado e pela potência do barro que molda e ressignifica”, conta Fabíola Nansurê.  

A contação “Luanda Ruanda” alterna histórias da tradição oral com músicas e costumes de diferentes povos africanos. Sua narrativa é guiada por Stephany Metódio, que juntamente com os músicos pernambucanos Alexandre Revoredo (voz, violão e efeitos) e Nino Alves (percussão e efeitos), ambos de Garanhuns e responsáveis pela direção musical, transformam a performance em um lugar de encontro e compartilhamento. O grupo também abre espaço para uma conversa com o público, permitindo reflexões e trocas de maneira profunda e significativa. Em atividade há mais de dez anos, o espetáculo celebra a oralidade e a ancestralidade afro-brasileira. Em 2024, conquistou o Prêmio Pernalonga de Teatro, realizado pelo Governo do Estado de Pernambuco, na categoria “Teatro para Infância”. 

“A apresentação é lúdica, afetiva, musical, visual, afrocentrada e antirracista, com diversão e uma diversidade de imaginários. Esse espetáculo fortalece a prática ancestral da narração oral para as infâncias, a ancestralidade, a identidade negra e o enfrentamento ao racismo, e nos leva por tradições diaspóricas, lendas e texturas sonoras de matriz africana. ‘Luanda Ruanda’ cria um universo cênico afrocentrado para as infâncias por meio de cantos, contos, vestimentas e elementos visuais, unidos a uma trilha sonora original executada ao vivo”, comenta Stephany Metódio. 

“Negaça” conclui a programação do mês. A direção, criação e dança é do próprio Urubatan Miranda, que também é mestre em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor, artista visual e performer. Esse espetáculo existe a partir da necessidade de reconstruir a própria história, utilizando para a construção cênica pesquisas, experiências, análises dos registros fotográficos, vídeos, cantigas, rezas e registros orais da Tenda Espírita Pai Jacob, terreiro de Umbanda localizado em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro. 

“O corpo se desdobra em um personagem que conta estórias em movimentos fragmentados utilizando o universo da movimentação de Exú, encantado presente nos cultos de Umbanda. Em Negaça, o terreiro foi caracterizado dramaturgicamente como um lugar de alteridade no qual foi figurada a religiosidade negra. Trata-se de recriar esse território como uma grande camarinha, espaço escuro e silencioso das iniciações, estruturando a cena entre planos que apresentam focos de atenção, sons e cânticos ancestrais”, diz a sinopse. 

Circulação

A Ocupação Espaço O Poste está com o incentivo público do programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023 - Espaços Artísticos. A partir deste edital, é possível continuar a ocupação em 2025, com espetáculos das culturas negra, indígena e popular e espaço para receber uma diversidade de grupos e artistas do Estado de Pernambuco, do país e internacionais. A circulação das atividades ocorre desde o mês de maio deste ano, com apresentação de teatro adulto e juvenil, leitura dramatizada, shows, contação de história, dança, giras de diálogo e movimento circense.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO MÊS DE OUTUBRO

Local: Espaço O Poste (rua do Riachuelo, nº 641 – bairro da Boa Vista – centro do Recife) 

 

24/10 (sexta-feira): “Barro Mulher – Um Mergulho na Lama da Criação” (BA), com Fabíola Nansurê 

Horário: 19h 

Entrada: promoção de dois ingressos por R$ 10

Classificação indicativa: livre

 

25/10 (sábado): “Contação de História – Luanda Ruanda: Histórias Africanas” (PE), com Stephany Metódio (Garanhuns - Agreste) 

Horário: 16h

Entrada: gratuita

Classificação indicativa: livre 

 

31/10 (sexta-feira): “Negaça” (RJ), com Urubatan Miranda 

Horário: 19h

Entrada: promoção de dois ingressos por R$ 10

Classificação indicativa: livre