O MuseUmbanda da cidade de São Gonçalo (Rio de Janeiro) recebeu o reconhecimento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, por meio do Sistema Estadual de Museus do Rio de Janeiro, como integrante do Cadastro Fluminense de Museus, como equipamento cultural de contribuição para os processos museológicos do Rio de Janeiro. "Essa novidade de hoje é para comemorarmos com muita alegria e um belo saravá!
Vitória de todos nós e da nossa luta como coletivo", comemorou o idealizador do MuseUmbanda, Fernando Torres ou Fernando D´Oxum, Bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes e zelador Umbandista da Tenda Espírita São Lázaro do Pita (São Gonçalo).

Para Pai Fernando, que foi Conselheiro Municipal de Cultura da cidade São Gonçalo na cadeira de Matrizes Africanas e autor da Justificativa Jurídica que aprovou a criação da Medalha Título Legislativo Zélio Fernandino de Moraes em São Gonçalo, este é um reconhecimento importantíssimo para dar visibilidade ao projeto do MuseUmbanda, mas também à "toda luta do coletivo de criação, que desde 2019 está batalhando para esse e outros reconhecimentos", disse ele que também é co-autor  da 1ª Semana da Umbanda em São Gonçalo, realizada em 2021.

Agora o MuseUmbanda faz parte do Cadastro Fluminense de Museus que funciona como fonte de informações atualizadas sobre os museus do estado. Dessa forma, produz conhecimentos e informações sistematizadas sobre o campo museológico em toda a sua diversidade, além de colaborar para o desenvolvimento e atualização do Cadastro Nacional de Museus.

MuseUmbanda e a matriz histórica

O MuseUmbanda nasceu em 2021 de um inconformismo da perda do antigo prédio que era um patrimônio da história oral umbandista, que foi o primeiro centro de Umbanda organizado, localizado no imóvel da Rua Floriano Peixoto nº 30, em São Gonçalo e que serviu de base para o mito de anunciação em 1908, pelo médium Zélio Fernandino de Moraes (1891-1975).

Como uma reparação da dívida histórica com esta religião afro-brasileira, um grupo de pensadores e umbandistas da cidade de São Gonçalo, resolveu criar o Projeto MuseUmbanda, um marco no resgate necessário dessa história da humanidade. O Museu ainda virtual pretende ser muito mais que uma estrutura física, pretendendo ser utilizado como escola, oficina de saberes, multiplicação do conhecimento ancestral e formação geral de pessoas antirracista. É também  uma porta aberta para acolher pessoas e receber denuncias e queixas de Intolerância Religiosa da comunidade local.
O surgimento da Umbanda é uma temática polêmica. Tendo em vista a pluralidade etimológica e sobre a sua origem, muitos autores, a exemplo de Brown (1985), Santos (2012), Rohde (2009), Pinheiro (2009) e, por associação, Chauí (2006) se referem à oficialização do nascimento dessa religião (ou pelo menos algo próximo e em sinonímia) como “mito de sua origem”, para se referirem ao dado “marco zero” do culto de Umbanda em 1908.
No ano de 1918, fundaram-se sete tendas para a propagação da Umbanda: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, Tenda Espírita Santa Bárbara, Tenda espírita São Pedro, Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge e Tenda Espírita São Gerônimo. Até a morte de Zélio de Moraes em 1975, mais de 10.000 templos foram fundados além destes iniciais.
Desde sua gênese até os dias atuais a Umbanda já teve várias vertentes e possibilidades, um projeto de "embranquecimento", um projeto "anti-africanista e um pró-africanista, já tentou ser unificada em vários congressos e conferências, já sofreu perseguição política e policial do Estado Brasileiro, já teve uma grande ascensão e hoje sofre com um inimigo mais afinado, a intolerância religiosa, criada pelos movimentos neopentecostais.

Por conta de toda perseguição que sofreu,   em 2011 a casa aonde nasceu a Umbanda foi vendida pela família de Zélio e a Prefeitura de São Gonçalo, gerida por uma Prefeita evangélica, apesar de inúmeros protestos, não teve interesse  em salvaguardar esse patrimônio histórico e protegê-lo para futuras gerações reconhecendo o local como parte da história da Umbanda no Brasil.

O Certificado de reconhecimento está disponível no site:  www.museumbanda.mus.br

 
 
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FONTE/CRÉDITOS: Texto: Claudia Alexandre