O artista Xéu Kelaino, da cidade de Igarassu/PE (Região Metropolitana do Recife), renova suas energias lançando o clipe “Mil Castelos e uma Canção”, já disponível nas plataformas digitais (assista - bit.ly/4jqxsLNe de música (escute - bit.ly/43lYcby). Todo o videoclipe acontece no município onde o pernambucano nasceu, cresceu e segue até hoje recriando sua arte autoral. Ele também atua neste audiovisual juntamente com o seu pai José Paulino (mais conhecido como seu Zé), do mesmo município do filho. Este lançamento solo do rapper, batuqueiro e brincante da cultura popular é uma abertura de portal para a carreira.
 

 
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Xéu Kelaino (esquerda) e o seu pai José Paulino, ambos de Igarassu-PE
Foto: Okoye Ribeiro
De origem periférica, Xéu Kelaino transforma uma história pessoal em rap, poesia e composição própria, compartilhando uma mensagem sobre fé e reconstrução da vida. Entre seus enfrentamentos, ilustrados no clipe, estão o alcoolismo paterno e o reconhecimento da espiritualidade e da raça, enquanto homem negro da periferia. A direção do videoclipe é assinada por Mateus Bernardo, que também realiza a direção de fotografia e a edição. Já a direção de produção e a direção executiva são assumidas por Jéssica Jansen, enquanto o roteiro do clipe é do próprio artista, com a arte da capa feita por Bárbara Vitória, mais conhecida como Babi, e a fotografia da autoria de Okoye Ribeiro.

“Represento um personagem em estado de desorientação que embarca numa jornada de consciência e reencontro, guiado por presenças espirituais que mostram a minha própria realidade e a do meu pai”, conta.
 
Xéu lança clipe no Sítio dos Marcos, em Igarassu
Foto: Okoye Ribeiro

As cenas do clipe ocorrem no Sítio dos Marcos e Sítio Histórico de Igarassu, trazendo tanto o contexto da cidade como sobretudo o rural, a partir da mata e do mangue, do respeito à ancestralidade e à natureza. Como memória da cidade, ele empodera locais históricos, fortalecendo a luta contra o racismo e a decolonialidade, assim como o pertencimento.

“O clipe valoriza o território a partir da perspectiva decolonial e de imagens com poética, cenografia, figurino, acervo e todo um apoio logístico, além de uma realização também de uma equipe negra da cultura periférica em sua maioria e contracolonial”, destaca o pernambucano.
 


“Mil Castelos e uma Canção” tem o incentivo público, com financiamento aprovado no edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), via Ministério da Cultura, e apoio municipal, da Prefeitura de Igarassu. A equipe técnica também é formada por Okoye Ribeiro (fotografia), Bárbara Vitória (arte de capa), Patrícia Sousa (figurino), Chris Garrido (acervo), Everton Crexpo (motorista), José Hidelbrando (apoio logístico), Daniel Lima (assessoria de imprensa), Soac Prod (captação de áudio, mixagem e masterização), Ogieemoney/Sativo Beats (instrumental).  
 
Da periferia, Xéu transforma memórias em rap, poesia e composição
Foto: Okoye Ribeiro (foto) 


O rapper abre a letra de “Mil Castelos e uma Canção” dizendo: “Fé.... Mais um louco nesse mundão, outros falam: é o peste ou não ?!/É os corre, nego/Só, só, só/Fé.../Pros reais, oportunidade, mais um canto de liberdade/E só peço aos meus/Só, só, só /Fé..”. Em outro trecho da composição, ele fala: “Não sei muito falar sobre amor, mas eu sei que minha mãe se preocupa comigo, sei que meu pai sempre me apoiou, e eu o acolho na luta contra o alcoolismo”.  

Xéu, que também atua na construção civil como armador e estuda edificações no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), canta sobre a correria do dia a dia para sobreviver e ao mesmo tempo conquistar conhecimentos. “Longe de casa eu me sinto só/desde bem novo a mola é construção/mais um ferreiro em busca do melhor/debaixo de Sol quente tem que ser leão/com os leões, e as canções, no meu peito/ eu carrego comigo/falo pro meu irmão que valeu me ensinar/hoje eu sou um ferreiro que eles dão ouvido”.

As vivências do artista na cultura popular e no hip hip potencializam sua crença ancestral. Ele reúne conhecimentos como batuqueiro do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu e brincante do Boi Maracá de Igarassu. Em rodas de rima como MC, lançou seus primeiros versos e improvisos no ano de 2014. Uma das suas autorais é “Cada cabeça um universo, cada satélite uma lua, cada freestyle numa roda de rima emana mais luz para o escuro da rua”.

“Quando começamos a rimar ainda não tinha batalha de rima em Igarassu. A gente se reunia numa roda para lançar as ideias. A galera do coco também acompanhava o pessoal rimando e chamava para fazer um som durante as sambadas”, declara.

A partir de então, produziu músicas que falam da realidade como homem negro, da periferia na Região Metropolitana do Recife. Xéu conquistou espaço na cena autoral com o grupo Sujistência SJTA, de Igarassu, composto também pelos artistas Apollo e Crexpo.

Pelo SJTA tem lançado coletivamente diversas obras musicais nas plataformas digitais: “Ferro” (2023 - álbum); duplo single “Dialeto” e “Grão do Deserto” do  “Matriz Periférica” (2021); as faixas ”Camisa do Chelsea” (2021), “Herói de Preto” (2020), “Prece” (2020), “Só Ficou Quem Ficou” (2020); “Lança Primórdios” (2019); “Energia” (2019), “Das Ruas do Lotia” (2018). No audiovisual, um clipe pelo projeto solo Dialeto/Grão do Deserto (2019).

Acessibilidade

Como desdobramento do lançamento, “Mil Castelos e uma Canção” vai ganhar um vídeo extra com interpretação em Libras.

“Mil Castelos e uma Canção” - ficha técnica

Direção: Mateus Bernardo
Roteiro: Xéu Kelaino
Direção de produção e produção executiva: Jéssica Jansen
Filmagem e edição: Mateus Bernardo
Fotografia: Okoye Ribeiro
Arte de capa: Bárbara Vitória
Figurino: Patrícia Sousa
Acervo: Chris Garrido
Motorista: Everton Crexpo
Apoio logístico: José Hidelbrando
Assessoria de imprensa: Daniel Lima
Elenco: Xéu Kelaino, José Paulino e Everton Crexpo
Locações: Sítio dos Marcos - Igarassu (PE) e Sítio Histórico de Igarassu
Captação de áudio: Soac Prod
Composição: Xéu Kelaino
Mixagem e masterização: Soac Prod
Instrumental: Ogieemoney/Sativo Beats
Agradecimentos: Cozinha dos Santos, Dona Nete, Foster, Natália Lira, Babi, YuriLumin e Selo Estelita
Incentivo público: financiamento aprovado no edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), via Ministério da Cultura, e apoio municipal, da Prefeitura de Igarassu.
 
Arte da capa é da autoria de Bárbara Vitória, e a fotografia é de Okoye Ribeiro
 
FONTE/CRÉDITOS: Foto: Okoye Ribeiro