O Paraíso do Tuiuti divulgou a aguardada sinopse de seu enredo para o Carnaval de 2027, intitulado "Ciata: a mãe preta do samba". A escola reafirma seu compromisso de resgatar figuras e eventos históricos marginalizados, prometendo uma homenagem grandiosa a Tia Ciata, matriarca essencial para a formação do samba carioca e da cultura de terreiro, em um espetáculo que promete tirá-la do apagamento oficial.

O enredo: "Ciata: a mãe preta do samba"

A escolha do tema "Ciata: a mãe preta do samba" para 2027 reflete o desejo do Paraíso do Tuiuti de honrar uma figura central na formação do samba carioca e no enraizamento da cultura de terreiro.

A expressão "mãe preta", carregada de um imaginário colonial e da violência da escravidão, frequentemente associada às amas de leite, é aqui ressignificada.

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O Tuiuti propõe uma nova leitura, celebrando a "mãe preta do samba" como uma protagonista livre e soberana. Esta figura representa a guardiã de saberes, sabores, afetos e a encarnação da resistência e reexistência dentro do matriarcado que gerou a cultura preta do samba.

A escola ainda evoca a canção de 2001: "Tu és meu sonho Tuiuti, tens um destino a cumprir", de Cesar Som Livre, Kleber Rodrigues, David Lima e Claudio Martins, reforçando sua missão.

A jornada de Tia Ciata: uma sinopse poética

A narrativa do enredo transporta o público para uma manhã no Rio de Janeiro, onde Tia Ciata, Hilária Batista de Almeida, acorda antes do sol. Em seu casarão da rua Visconde de Itaúna, 117, na Praça Onze de Junho, epicentro de saberes e sabores, ela se prepara para o dia, com seu tabuleiro de doces e trajes típicos de baiana.

Ela personifica a força das mulheres quituteiras da época, que, como ela, eram soberanas e protagonistas de suas próprias vidas, desafiando as convenções sociais.

A sinopse evoca memórias da Bahia e sua conexão com Oxum, enquanto Ciata se dirige ao seu ponto comercial no Centro, próximo às ruas da Alfândega e do Ouvidor. Sua trajetória como primeira yaquequerê do terreiro de João Alabá, na rua Barão de São Felix, na Cidade Nova, também é lembrada.

O texto contextualiza o cenário de reformas urbanas do Rio, que, na busca por uma "Paris Tropical", tentava invisibilizar a cultura preta e pobre. Mesmo em meio à Revolta da Vacina e ao "Bota Abaixo" de Pereira Passos, a gente carioca resistia, construindo laços de sociabilidade e inventando modos coletivos de vida.

Em seu caminhar, Ciata encontra capoeiras, o vizinho do jogo do bicho e percebe a "justa" perseguindo malandros. Ao seu lado, crianças cantarolam "Pelo Telefone", o clássico que ela ajudou a compor e que Donga registrou, consolidando seu papel como bamba do partido alto.

A matriarca, carnavalesca de alma, aguarda a folia com expectativa, tendo herdado o Rancho Rosa Branca e visto nascer o bloco O Macaco é Outro em sua família.

No decorrer do dia, encontros com personagens pitorescos reforçam a riqueza cultural e religiosa que permeava seu cotidiano. Diálogos sobre doces, comidas típicas e a cura de Venceslau Brás com ervas de Ossanha ilustram a vivacidade e a fé da comunidade.

Ao retornar ao casarão, a festa já está pronta para começar. Macumbeiros, sambistas, artistas, jornalistas e o povo da "Pequena África" – entre o porto, Saúde, Gamboa, Praça Onze, Cidade Nova e Estácio de Sá – se reúnem em celebração.

A casa da Visconde de Itaúna se transforma em uma avenida, saudando a matriarca. O enredo culmina com o povo do Paraíso do Tuiuti, vestido de azul e amarelo, descendo o morro para reverenciar Tia Ciata, a ancestral que abençoa o carnaval, transformando a Marquês de Sapucaí em um grande terreiro de samba.

Equipe de criação e pesquisa

A concepção e pesquisa do enredo contaram com a expertise do carnavalesco Renato Lage, e o texto foi assinado por Claudio Russo e Luiz Antonio Simas.

A consultoria e o apoio à pesquisa foram fornecidos por Gracy Moreira e a equipe da Casa da Tia Ciata, com agradecimentos especiais às Professoras Angélica Ferrarez e Cláudia Alexandre.

FONTE/CRÉDITOS: Colaboração Carnavalesco